A história da família Varela é uma verdadeira inspiração quando o assunto é amor, superação e inclusão por meio do esporte. Magali Varela e Fabrício Varela são ciclistas há cerca de seis anos e desde então buscam envolver os filhos na atividade, especialmente Théo, de 8 anos, diagnosticado com autismo nível dois de suporte.
Durante entrevista Magali explica que o ciclismo tem sido uma importante ferramenta de apoio às terapias e ao desenvolvimento cognitivo, motor e intelectual do filho. “Ter ele na bike comigo é uma alegria muito grande, é um momento meu e do meu filho. Às vezes muita gente pergunta ‘por que o pai não puxa? Homem tem mais força’, eu não abro mão de puxar ele, aliás eu não estou mais puxando, eu já estou pedalando junto com ele, então assim, é um momento meu de mãe e filho, de amor e de carinho, eu não abro mão” , relata.
A primeira participação de Théo foi no evento “Pedala Selvíria”, de ciclismo rural. Desde então, a família já passou por eventos em Salmorão/SP, na Copa Peixe, e mais recentemente participou do “Bike Caroninha”, em Botucatu/SP, uma prova nacional promovida pelo Brasil Ride, uma entidade que também organiza eventos no Marrocos e em Portugal.
Magali detalha como funciona a bike utilizada por Théo: “A bike caroninha é como se fosse a metade de uma bicicleta infantil, que ela é acoplada no canote da minha bike, no cano ali do selim” . Ela conta que no começo o menino não pedalava, mas que com o tempo foi evoluindo.
O impacto da participação da família nos eventos vai além do pedal. Magali revela que outras famílias entraram em contato de diversas partes do país para saber mais sobre a “bike caroninha” e buscar meios de inserir seus filhos também.
A família também já promoveu o evento “Pedal Kids”, em Santa Helena, convidando famílias a levarem seus filhos para pedalar, criando um ambiente de interação, inclusão e união entre crianças e comunidade. Magali destaca que antes de participar de grandes eventos, Théo passa por um processo de adaptação, onde a família o prepara para participar dos eventos.
Apesar dos sorrisos nas fotos e da alegria nas competições, Magali é firme ao destacar os desafios enfrentados, ela diz que as pessoas não devem romantizar o autismo, a todo momento acontece algo que não é esperado. Nas fotos a família aparece sorrindo e feliz, mas os momentos muitas vezes são desafiadores e ela reforça que nenhum autista é igual ao outro. Ainda assim, ela enxerga avanços importantes, dizendo que passou a ver as coisas de um modo mais positivo e isso a ajudou muito nos momentos de dificuldades e desafios.
