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Malabares no sinal: arte ou necessidade?

A história de um artista que vive entre fronteiras e incertezas.

Andressa de Paula - Hojemais Três Lagoas
15/07/25 às 16h01
Foto: Hojemais Três Lagoas

Equilibrado sobre um rolo, malabares girando no ar e um sorriso discreto no rosto, essa é a rotina de Ruanes Ramires, artista de rua que transforma o trânsito de Três Lagoas em palco improvisado. Mas por trás da leveza da apresentação, uma questão provoca reflexão: trata-se apenas de arte ou também de necessidade?

Com uma trajetória de 12 anos produzindo arte nas ruas, ele revela uma realidade marcada por instabilidade financeira. A vida sobre o asfalto não garante estabilidade. Sua renda varia entre R$30 e R$ 120 por dia, quando há movimento e generosidade. 

De origem argentina, está no Brasil desde novembro de 2024. Em Três Lagoas, onde retorna sempre que precisa, encontra abrigo no Centro Pop, serviço municipal para pessoas em situação de vulnerabilidade. Agora, seu retorno para a Argentina tem um motivo delicado: o pai está doente, e ele precisa ir vê-lo.

A cada apresentação, ele levanta uma pergunta que vai além da sua própria história: quantos artistas de rua carregam, nos gestos ensaiados, a necessidade disfarçada de espetáculo?

Aos olhos dos motoristas, Ruanes é um artista. Mas sua realidade revela o limite tênue entre expressão cultural e sobrevivência. Mesmo diante das dificuldades, o artista mantém o sorriso e a leveza no palco improvisado do asfalto.

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