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Cotidiano

Morte de pessoas já vacinadas questiona eficácia da imunização

Infectologista explica porque isso ainda pode acontecer

Daniela Galli - Hojemais Três Lagoas
25/06/21 às 13h07

O cantor Agnaldo Timóteo faleceu em decorrência da covid-19 mesmo depois de ter sido imunizado com as duas doses da vacina coronavac. Depois do caso dele, surgiram outros, inclusive, no interior do Estado de São Paulo. 

O secretário de Saúde da cidade de Lins, que fica a pouco mais de 200 km de distância de Três Lagoas, faleceu mesmo depois de ter tomado as duas doses. Outro caso semelhante foi relatado nas rede sociais em Birigui, na mesma região. 

As mortes reacenderam o debate acerca da eficácia de cada vacina aplicada no Brasil e deixou a população ainda mais preocupada. Segundo a infectologista Renata Congro Leal, não há motivo para desconfiança, uma vez que a vacina vem sendo aplicada nos brasileiros desde o começo do ano e, até o momento, não foi emitida nenhuma nota técnica em relação aos pacientes imunizados pela coronavac. Para ela, as mortes ocorridas não são frequentes e não significam que as vacinas falharam.

Mesmo assim ela reforça que, mesmo aqueles que já foram imunizados, devem seguir com as medidas de biossegurança preconizadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) que é o uso de máscara, distanciamento social e higiene constante das mãos. 

Renata explica que nenhuma vacina pode ser considerada 100% eficaz, ou seja, nenhuma delas é capaz de impedir totalmente que as pessoas tenham contato com o coronavírus. “O principal objetivo delas é evitar que os pacientes desenvolvam formas graves da covid-19”. Em relação à coronavac ela diz que a eficácia geral apresentada pelo Instituto Butantan nos testes brasileiros foi de 50,38% depois da aplicação de duas doses. 

De forma geral, a médica revela que todas as vacinas têm como objetivo ajudar o organismo a desenvolver anticorpos contra o vírus. “A primeira é colocar na vacina parte da proteína do vírus ou a própria proteína. A segunda é dar instruções ao organismo sobre o modo de fabricar o anticorpo”.

Renata revela ainda que, para que toda a população possa respirar com certo alívio, é preciso que pelo menos 70% das pessoas estejam imunizadas. Ela cita ainda outros estudos que apontam que apenas com 90% das pessoas imunizadas será possível cessar a circulação viral. “Nesse contexto, há ainda outras questões importantes: além de não sabermos qual o tempo de duração exato da imunidade (tanto da vacina quanto após a infecção), o surgimento de novas cepas, mais virulentas e agressivas, acaba colocando em perigo a tão sonhada ideia de imunidade coletiva”.

Daí a necessidade já citada por ela de que, mesmo com a vacinação, as pessoas continuem lançando mão das medidas de biossegurança. Isso pode fazer com que a circulação do vírus seja reduzida. “Consequentemente as chances de surgimento de mutações de comportamento imprevisível que podem escapar da imunização, acarretando na formação de novas cepas mais resistentes e capazes de fazer com que voltemos à estaca zero no combate à doença”.

 

 

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