O isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus que já dura pouco mais de um ano provocou uma avalanche de sentimentos na população, principalmente nos idosos que são grupos de risco para doenças infecciosas em razão do envelhecimento do sistema imune.
Logo no início da pandemia, já se observou que o Covid 19 causava um quadro clínico mais severo em alguns indivíduos, podendo inclusive levar ao óbito. Sendo essas condições mais frequentes nos indivíduos idosos. Desta forma, o distanciamento da família, amigos e a mudança brusca na rotina para protegê-los, acabou colocando em risco a saúde mental da população idosa.
O Jornal Hojemais conversou com o médico psiquiatra Dr. Eder Caloi Barro que explicou sobre a solidão durante a pandemia e o agravamento das doenças mentais em idosos.
Hojemais - Como lidar com a solidão dos idosos durante a pandemia?
Dr. Éder - Antes da pandemia alguns idosos já sofriam mais isolamento social nessa fase da vida, devido à aposentadoria, redução de mobilidade, falecimento de entes queridos, etc. Atualmente, durante a pandemia essa situação se acentuou com o intuito de evitar o contágio desses idosos, que são grupo de risco para a Covid 19. No entanto, isolamento e distanciamento não precisam ser sinônimos de SOLIDÃO. Isso porque todo ser humano necessita de manter conexões e contatos pessoais. A interação e o contato com os idosos não precisa e não deve acabar, podendo aumentar as ligações, videochamadas. Além disso, o atendimento psiquiátrico e psicológico pode ser necessário em alguns casos, quando a depressão já está instalada.
Hojemais - Doenças mentais de idosos se agravaram durante o período de isolamento?
Dr. Éder - Infelizmente, é perceptível no consultório psiquiátrico o agravamento de transtornos mentais já existentes e o surgimento de mais pacientes idosos com doenças psiquiátricas.
A fim de garantir um tratamento eficaz da depressão, orientamos os idosos e seus cuidadores/familiares que há necessidade de ativação comportamental, realizar atividades físicas regulares e manter ou aumentar as conexões pessoais e compromissos diários.
Durante a pandemia essas orientações foram negligenciadas para evitar o contágio por coronavírus. Com isso houve agravamento dos quadros depressivos maiores e dos casos de distimia em idosos, sendo, portanto, o isolamento social o grande gatilho.
No caso dos idosos, a depressão e os transtornos ansiosos costumam afetar mais a memória, reduzindo foco/atenção e pode ser mais evidenciada pelos sintomas físicos: insônia, sonolência diurna, emagrecimento, fadiga.
