AO VIVO
Saúde

Fibromialgia ganha alerta nacional

Especialistas destacam importância do diagnóstico precoce e da atividade física no controle da fibromialgia.

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas 
12/05/26 às 13h54
Foto: Divulgação

“Existem dias em que as dores aparecem com mais intensidade e outros em que são mais leves, mas o desconforto está sempre presente. Com o tempo, aprendemos a lidar não apenas com a dor física, mas também com o lado emocional, porque manter o equilíbrio mental faz toda a diferença”. O relato é da aposentada Angelina da Silva, de 62 anos, que convive com a fibromialgia há 15 anos e realiza acompanhamento no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE), unidade vinculada à HU Brasil . Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela recebe atendimento multidisciplinar e suporte contínuo.

Moradora de Orobó, município localizado a cerca de 110 quilômetros do Recife, Angelina representa uma parcela dos aproximadamente 6,5 milhões de brasileiros que convivem com a doença. Dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia apontam que a fibromialgia atinge cerca de 3% da população nacional, número equivalente a 81 estádios do Maracanã lotados.

O tema ganha destaque neste 12 de maio, data reconhecida como o Dia Mundial e Nacional de Conscientização da Fibromialgia e da Síndrome da Fadiga Crônica, condições que afetam milhões de pessoas e ainda enfrentam desconhecimento e preconceito.

Fibromialgia provoca dores e fadiga constantes

A fibromialgia é caracterizada por dores musculoesqueléticas espalhadas pelo corpo, geralmente acompanhadas de fadiga, alterações no sono, ansiedade, dificuldade de memória e concentração, sintomas depressivos e aumento da sensibilidade ao toque. Embora a causa exata ainda seja desconhecida, especialistas apontam que a condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que aumentam a percepção da dor.

Segundo especialistas, a maioria dos pacientes diagnosticados é formada por mulheres, o que pode estar ligado à sobrecarga física e emocional, além de diferenças no processamento neurológico da dor.

Já a Síndrome da Fadiga Crônica, também chamada de Encefalomielite Miálgica (EM), tem como principal característica o cansaço intenso e persistente, que não melhora mesmo após períodos de repouso e pode piorar após esforços físicos ou mentais. A condição também pode provocar dores, tonturas e problemas cognitivos.

A reumatologista Aline Ranzolin , coordenadora do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPE, destaca que o diagnóstico correto é essencial para descartar outras doenças e iniciar o tratamento adequado o quanto antes.

De acordo com a especialista, uma das principais estratégias é investir na educação do paciente sobre a própria doença, ajudando a compreender os sintomas e desenvolver formas de melhorar a qualidade de vida. Ela também reforça a importância da prática de hobbies, exercícios físicos, acompanhamento psicológico e terapia cognitivo-comportamental, além do uso de medicamentos quando necessário.

Lei reconhece fibromialgia como deficiência

Desde janeiro deste ano, a fibromialgia, a fadiga crônica e outras síndromes dolorosas correlatas passaram a ser oficialmente reconhecidas como condições que podem caracterizar deficiência, conforme estabelece a Lei nº 15.176/2025.

A avaliação é realizada por equipe multiprofissional, composta por médico, fisioterapeuta, profissional de educação física, psicólogo, nutricionista e assistente social. Segundo o fisioterapeuta Gabriel Parisotto , o reconhecimento depende do grau de incapacidade funcional causado pela doença e dos impactos na vida do paciente.

Entre os critérios avaliados estão limitações nas atividades diárias, persistência de dores e fadiga mesmo com tratamento e prejuízos na vida profissional, social e educacional.

Exercícios físicos ajudam no controle da dor

Especialistas apontam que a fisioterapia e os exercícios supervisionados têm papel fundamental no controle dos sintomas e na manutenção da qualidade de vida. O objetivo é evitar crises intensas de dor e fadiga, respeitando os limites individuais de cada paciente.

Gabriel Parisotto explica que a fisioterapia trabalha com exercícios graduais, educação do paciente sobre limites físicos, terapias manuais leves, técnicas de relaxamento, exercícios aeróbicos e estratégias específicas para períodos de crise.

A profissional de educação física Lidiane Gomes ressalta que estudos recentes mostram benefícios importantes da atividade física regular, como redução da dor crônica, melhora do sono, aumento da capacidade funcional e diminuição da rigidez muscular.

Falta de compreensão agrava sofrimento emocional

Além das dores físicas, pacientes com fibromialgia e fadiga crônica convivem frequentemente com o preconceito e a desconfiança, já que muitas vezes os sintomas não aparecem em exames laboratoriais ou de imagem.

A psicóloga Nataly Netchaeva afirma que muitas mulheres relatam não serem levadas a sério por familiares e pessoas próximas, o que contribui para sentimentos de solidão, ansiedade e depressão.

 

Segundo a especialista, o impacto emocional pode intensificar ainda mais os sintomas físicos, criando um ciclo que agrava dores e fadiga. Ela reforça que cada experiência com a doença é individual e depende também do apoio familiar, social e cultural recebido pelo paciente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM SAÚDE
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WESLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.