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SES esclarece descarte de vacinas nas unidades de saúde

Secretaria de Saúde reforça que descarte técnico evita riscos e garante qualidade dos imunizantes aplicados pelo SUS.

Thais Constasntino - Hojemais Três Lagoas
11/05/26 às 11h56
Foto: Reprodução (Agência Gov MS)

Muitas pessoas já ouviram relatos sobre o descarte de vacinas em unidades de saúde e acabam associando a situação ao desperdício. No entanto, segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul , o procedimento segue critérios técnicos rigorosos e faz parte das normas estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações .

O objetivo é garantir que cada dose aplicada pelo SUS mantenha qualidade, eficácia e segurança para a população.

De acordo com a SES, parte das chamadas perdas de imunizantes é considerada técnica e já está prevista dentro da rotina das salas de vacinação. Isso acontece principalmente porque muitas vacinas são armazenadas em frascos multidoses, que concentram várias aplicações em um único recipiente. Após serem abertos, esses frascos passam a ter prazo limitado de utilização, já que ficam mais vulneráveis à contaminação e à perda de estabilidade, o que pode comprometer a eficácia da vacina.

O período de utilização varia conforme o tipo de imunizante. Em alguns casos, o prazo é de apenas algumas horas; em outros, pode chegar a alguns dias, desde que as doses sejam mantidas em condições adequadas de armazenamento, com temperatura controlada entre 2°C e 8°C. Depois desse período, as doses restantes precisam ser descartadas conforme orientação técnica do Ministério da Saúde.

Segundo a coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, o descarte não representa falha do sistema de vacinação, mas sim um cuidado necessário para proteger a população.

“O que chamamos de perda técnica já é previsto pelo Ministério da Saúde. Isso acontece principalmente por conta dos frascos multidoses, que precisam ser utilizados dentro de um período específico após a abertura. Utilizar uma dose fora desse prazo pode comprometer a proteção e a segurança da pessoa vacinada”, explica.

A SES também destaca que a distribuição das vacinas é planejada com base na população-alvo de cada imunizante. O envio das doses aos estados considera os públicos prioritários definidos nas campanhas e estratégias de vacinação, garantindo quantidade adequada para atendimento da população.

Além disso, o próprio PNI estabelece parâmetros técnicos considerados aceitáveis para perdas de vacinas, variando conforme o tipo do imunizante e a forma de apresentação, seja em dose única ou multidoses. Nos frascos multidoses, por exemplo, existe uma margem operacional maior de perdas, justamente porque muitas vezes é necessário abrir um frasco para atender poucas pessoas naquele momento.

Mesmo com planejamento e monitoramento constantes, as equipes de saúde buscam organizar o uso das doses para reduzir descartes ao máximo. Ainda assim, em algumas situações, um frasco precisa ser aberto para vacinar apenas uma pessoa, principalmente em períodos de baixa procura ou em determinadas localidades. Nestes casos, a recomendação é não perder a oportunidade de imunizar.

“A prioridade é garantir o acesso da população. Muitas vezes, abrimos um frasco para atender uma pessoa, mesmo sabendo que nem todas as doses poderão ser utilizadas. Isso faz parte da estratégia para ampliar a cobertura vacinal e proteger mais pessoas”, reforça Ana Paula.

A Secretaria explica ainda que perdas consideradas dentro dos limites técnicos aceitáveis não comprometem o funcionamento do sistema de vacinação e são acompanhadas pelos gestores de saúde. Já as perdas evitáveis, provocadas por falhas no armazenamento, interrupção da cadeia de frio ou erros no manuseio, recebem monitoramento mais rigoroso e devem ser reduzidas continuamente por meio de treinamento das equipes e melhoria dos processos.

“A Secretaria realiza capacitações técnicas de forma contínua com as equipes de saúde, reforçando os protocolos de armazenamento, transporte e aplicação dos imunizantes. Esse trabalho é fundamental para reduzir perdas evitáveis e assegurar que a população receba vacinas com qualidade e segurança”, afirma a coordenadora.

A SES reforça ainda que a participação da população é fundamental para o bom funcionamento das campanhas de vacinação. Manter a carteira vacinal atualizada e procurar as unidades de saúde contribui para a organização das ações e para o melhor aproveitamento das doses disponíveis. Mais do que evitar perdas, o foco do SUS é garantir acesso a vacinas seguras, eficazes e aplicadas no momento adequado.

 
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