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SUS realiza primeira cirurgia de implante cerebral para Parkinson em MS no Hospital Regional de Três Lagoas

Procedimento inédito na rede pública estadual foi realizado em paciente de 58 anos; técnica pode reduzir em até 80% a necessidade de medicamentos.

Da Redação
14/03/26 às 08h28
Hospital Regional de Três Lagoas realiza cirugia inédita (Imagem: Divulgação Hospital Regional de Três Lagoas)

Um procedimento inédito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul foi realizado no Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas. A cirurgia de implante de eletrodos para estimulação cerebral profunda marca um avanço no tratamento de pacientes com doença de Parkinson na rede pública estadual. A unidade é administrada pelo Instituto Acqua em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES).

O paciente submetido à cirurgia foi o servidor público aposentado Gilberto Barbieri, de 58 anos, morador de Nova Andradina. Há cerca de 15 anos ele convive com os sintomas da doença, que começaram com tremores nas mãos e evoluíram para limitações motoras severas.

Doença de Parkinson e impacto na rotina

Parkinson é uma enfermidade neurológica crônica, degenerativa e progressiva que afeta os movimentos, causando tremores de repouso, rigidez muscular, lentidão e instabilidade postural. No caso de Gilberto, os primeiros sinais surgiram com tremores nas mãos, o que o levou a buscar ajuda médica em hospitais de sua cidade, Campo Grande, Dourados e São Paulo até receber o diagnóstico.

A rotina do aposentado mudou significativamente. Atividades simples passaram a exigir mais esforço. "Não tenho mais a vitalidade que tinha antes. Tudo piorou na minha vida com a chegada da doença", relata. Há mais de dez anos, ele depende de medicamentos em intervalos de três horas, que provocam efeitos colaterais como movimentos involuntários constantes.

Procedimento inédito no MS (Imagem: Divulgação Hospital Regional de Três Lagoas)

Como funciona a cirurgia

O procedimento, chamado de implante de eletrodo para estimulação cerebral, é indicado para casos graves de Parkinson. A técnica consiste na implantação de eletrodos em áreas profundas do cérebro responsáveis por modular os circuitos ligados ao controle dos movimentos.

De acordo com o neurocirurgião Eduardo Cintra Abib, responsável pela cirurgia, os eletrodos são implantados no núcleo subtalâmico. "Colocamos um eletrodo de cada lado do cérebro. Durante a cirurgia o paciente permanece acordado para podermos testar os movimentos e identificar o ponto exato de estimulação que melhora sintomas como tremor e rigidez", explicou.

Após o implante, os eletrodos são conectados a um dispositivo semelhante a um marca-passo implantado no tórax, que envia impulsos elétricos ao cérebro para regular a atividade motora. A técnica pode reduzir em até 80% a necessidade de medicamentos e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Equipe multidisciplinar

Integraram a equipe principal os neurocirurgiões Eduardo Abib e Marco Aurélio Fernandes Teixeira, os anestesistas Ariane Freitas Neves e Walter Chimello Balhester, e os profissionais de enfermagem Raisa Carvalho Batista e Felipe Gabriel Rocini Araújo.

Recuperação e acompanhamento

A cirurgia foi realizada no dia 5 de março. Gilberto permaneceu um dia na UTI e mais dois dias em observação, recebendo alta no dia 8 de março. Em duas semanas, ele retornará ao hospital para a programação do dispositivo, quando serão feitos os primeiros ajustes da estimulação conforme seus sintomas predominantes.

Esperança de uma nova rotina

Gilberto vê na cirurgia a possibilidade de reduzir a medicação e recuperar autonomia. "Quero poder fazer coisas simples sem ser refém dos remédios, sem tremer ou ficar paralisado. Quero viajar, pescar, visitar minha irmã e pegar meus netos no colo sem medo de derrubá-los", afirma.

A esposa Elcia Oliveira Umbelino Barbieri, com quem é casado há 36 anos, acompanhou todo o processo. "Hoje sou motorista oficial dele. Hesitamos de sair de casa com receio de o efeito do remédio acabar e ele tremer em público. Agora temos esperança de que a vida volte a ser mais tranquila", disse.

Marco para a saúde pública de MS

Para o diretor técnico do Hospital Regional, Marllon Nunes, o procedimento representa um avanço para o SUS em Mato Grosso do Sul. "Oferecer uma cirurgia de alta complexidade como a estimulação cerebral profunda demonstra a capacidade técnica do hospital e reforça seu papel como referência regional e estadual em assistência especializada, ampliando o acesso da população a tratamentos inovadores", destacou.

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