A imagem histórica de um país apaixonado pelo futebol convive, hoje, com um cenário de afastamento do público dos estádios. Uma pesquisa encomendada pela Confederação Brasileira de Futebol e realizada pela consultoria Nexus aponta que 59% dos brasileiros nunca assistiram a uma partida de futebol presencialmente.
O levantamento ouviu 2.006 pessoas com 16 anos ou mais entre 15 e 24 de agosto de 2025, em todas as 27 unidades da federação, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A falta de interesse é o principal motivo citado pelos entrevistados. Segundo o estudo, 41% afirmam não ter vontade de acompanhar o esporte nas arquibancadas. Em seguida aparecem questões de segurança, apontadas por 23%, e razões financeiras, mencionadas por 12%.
O levantamento mostra ainda que 22% dos brasileiros já frequentaram estádios, mas deixaram de ir. Somando esse grupo aos que nunca foram, o índice chega a 81% da população que não acompanha o time de perto.
A pesquisa registra também o comportamento de consumo do esporte. Enquanto a presença nos estádios é baixa, 47% afirmam assistir a jogos pelo menos uma vez por semana por meio de transmissões. Outros 26% dizem não acompanhar futebol em nenhuma circunstância.
Cenário regional no Mato Grosso do Sul
No Mato Grosso do Sul, o distanciamento das arquibancadas acompanha a tendência nacional. Em 2024, um levantamento com 84 partidas oficiais do futebol profissional masculino no estado contabilizou cerca de 45 mil torcedores no total, distribuídos entre 12 estádios. A média é de 536 espectadores por jogo, índice que representa aproximadamente 21% da capacidade das praças esportivas avaliadas.
Em Três Lagoas, a realidade segue o padrão estadual. Embora a cidade conte com tradição esportiva e presença de torcedores locais, a busca por alternativas de lazer, o conforto de acompanhar partidas em casa e a infraestrutura limitada dos estádios contribuem para a redução do público presencial.
O cenário regional reforça a percepção de que o consumo do futebol no Brasil está passando por mudanças estruturais. A migração do torcedor para o ambiente doméstico, associada ao desinteresse crescente por parte de uma parcela significativa da população, reacende o debate sobre o futuro da relação do brasileiro com o esporte mais popular do país.
Com informações de The News.
