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Adolescente que foi achado morto dentro de freezer em casa da vó, teria feito “banheira improvisada”

No dia, polícia apontou que era "um domingo de muito calor" e o menino, conforme relataram os parentes, "era calorento e suava muito". Investigação aguarda laudos para concluir inquérito em MS

Redação  - Hojemais Três Lagoas
10/03/21 às 12h02

O adolescente de 15 anos, encontrado morto na casa da avó, na Vila Adelina, em Campo Grande, fez uma banheira improvisada dentro de um freezer e lá teria sofrido um mal súbito seguido de asifixia. É o que aponta a Polícia Civil, após instaurar inquérito e ouvir testemunhas, realizar exames periciais e até mesmo uma reprodução simulada dos fatos.


"A investigação aponta que o menino retirou o short, colocou água na banheira até a tampa do freezer e se colocou naquela circunstância, sentando ali. Em algum momento, ele passou mal ou por choque elétrico, por estar manipulando um notebook posicionado de frente para ele na mesa, ou até mesmo teve um mal súbito ou AVC [Acidente Vascular Cerebral]", afirmou ao G1 a delegada Elaine Benicasa.


Em seguida, a investigação verificou que não houve empurrão na tampa. "Os peritos fizeram inúmeros testes e verificaram que é uma tampa delicada, que se fecha rapidamente. Como passou mal, ele pode ter ficado preso ali e depois faleceu por asfixia. O menino, segundo familiares, tinha o hábito de tomar banho ali de mangueira com os amigos, mas, desta vez ele se colocou naquela circunstância", comentou a delegada.


No dia, a polícia apontou que era "um domingo de muito calor" e o menino, conforme relataram os parentes, "era calorento e suava muito". Esta palavra, ainda segundo a delegada, inclusive foi repetida mais de uma vez por testemunhas. No imóvel, os policiais ainda acharam um ventilador ligado e posicionado perto dele.

"Nós analisamos profundamente todas as câmeras, além de juntar provas, exames periciais de local, ouvir testemunhas e investigar até excluir qualquer tipo de crime. As testemunhas são unânimes em dizer que ninguém ouviu nada, inclusive vizinhos do fundo que ficaram ali até tarde conversando. Depois, analisando todo o perfil da vítima, bem como falando com a família, nós excluímos a hipótese de suicídio", explicou Benicasa.


Conforme a delegada, a polícia também soube que a vítima estava fazendo uso indiscriminado de anabolizantes. "Era algo que nem a família sabia, porém tivemos acesso a conversas em que ele negocia, compra e ingere o produto. Outro fato é que excluímos também a possibilidade de abuso sexual, já que ele estava sem o short e isso foi levantado na época", ressaltou.


O freezer, ainda conforme a delegada, estava desligado. "O objeto era ligado somente em momentos festivos mesmo. Perto dele, também apreendemos o celular da vítima, o notebook, uma toalha e uma faca. "Mesmo após 24 horas dos fatos o freezer ainda estava totalmente umedecido, incluindo as borrachas, como se tivesse transbordado mesmo. O corpo da vítima também estava com cabelos úmidos, pés e mãos enrugados, como se tivesse permanecido muito tempo molhado", comentou.


A investigação, dois meses após o ocorrido, está aguardando apenas a chegada de alguns laudos. "Antes mesmo do papel chegar, já havíamos um consenso por conta do contato com os peritos e o que já temos. Vamos juntar a documentação pendente e encaminhar ao judiciário o inquérito de morte a esclarecer. Para a família, de alguma forma foi um alívio saber que não houve crime. Posso dizer que é mais uma tragédia, uma fatalidade", finalizou a delegada.

(*) G1 MS

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