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Aldeia Ofaié recebe 1º Empretec indígena do Brasil

O evento inédito aconteceu em Brasilândia entre os dias 08 e 13 de abril

Rafaela Teixeira - Hojemais Três Lagoas
13/04/24 às 14h34
(Imagem: Hojemais)

Situada no município de Brasilândia, a Terra Indígena Ofaié foi reconhecida como tradicionalmente indígena pela Portaria n.º 264/92, do Ministério da Justiça. Apesar disso, a trajetória desse povo sempre foi de resistência, subsistindo às muitas vezes em que foram expulsos de seu território e quase extintos. Mesmo após tais perseguições, o povo Ofaié continua a resistir, lutando por sua cultura e tradição.

A produção artesanal, que nos últimos anos ganhou papel importante para o povo Ofaié, recebeu, nestes dias 08 a 13 de abril, o incentivo do projeto “Empretec”, promovido pelo Sebrae. Este foi o 1º Empretec indígena em todo o país e deve servir como modelo a ser replicado para diversos povos indígenas. Uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), o Empretec é promovido, no Brasil, pelo Sebrae e, em Brasilândia, contou com uma multiplicidade de edições.

IMAGEM: [Prefeito de Brasilândia fala ao Hojemais]

A iniciativa contou com o apoio da Prefeitura de Brasilândia, sempre em parceria com projetos do Sebrae. “Brasilândia faz parte de um projeto nacional do Sebrae, chamado cidade empreendedora, e como estamos na etapa dois do projeto, Brasilândia hoje é uma cidade empreendedora e inclusiva. Dentro desse projeto, o seminário Empretec é um dos pilares fundamentais, onde se procura trazer conhecimento para todos os brasilandenses. Fizemos isso na zona urbana, para agricultura familiar, para o assentamento Mutum, e estamos trazendo hoje para essa comunidade de povos originários, a aldeia Ofaié Xavante”, afirmou o prefeito de Brasilândia, Antonio de Pádua Thiago.

IMAGEM: [gerente da Regional Costa Leste do Sebrae/MS, Josi Signori fala ao Hojemais]

As 31 mulheres participantes do Empretec Indígena somam-se às quase 250 pessoas empretecas nos últimos dois anos. Segundo a gerente da Regional Costa Leste do Sebrae/MS, Josi Signori, o objetivo é “oportunizar para toda a comunidade Ofaié, aqui representada por 31 mulheres, a geração de renda, para que elas possam trazer ainda mais para suas famílias recursos advindos daquilo que produzem tão bem, que é o artesanato indígena”.

IMAGEM: [Marcelo da Silva Lins, Cacique da Terra Indígena Ofaié]

O impacto também foi reconhecido pela comunidade Ofaié, que recebeu, por meio de mulheres artesãs que já produzem diversos materiais, uma forma de fortalecer sua produção e comercialização, respeitando sua história e tradição. “O povo Ofaié é um povo muito sofrido. Na década de 40 a 60, éramos 2.200 pessoas, e durante todas essas décadas, fomos muito perseguidos. Fomos massacrados, mas lutamos e resistimos ao tempo, e estamos aqui hoje”, relatou Marcelo da Silva Lins, Cacique da Terra Indígena Ofaié.

IMAGEM: [Taynara desenha desde os 7 anos, e, em 2020, aos 14 anos, ela abriu a própria empresa, comercializando seus produtos para pessoas de todo o Brasil. Hoje ela dá aulas para quem deseja aprender essa arte. Conheça alguns de seus desenhos em @stad_desenho].

Ramona, vice-cacique, contou um pouco da história dessas mulheres com o artesanato, que foi retomado com a vinda de um projeto da Empresa Fibria. Segundo ela, “Elas aprenderam a dar qualidade ao material, para que hoje seja possível trabalhar e ter uma boa venda, e para que possam ter o sustento. Não fugindo da história e da tradição, pensaram em trazer a língua materna para os tecidos, porque é uma história, porque a única coisa que guardamos dentro de nós foi a língua materna”.

Através dessa luta, o povo Ofaié resistiu e persistiu, e hoje tem a oportunidade de plantar para um futuro melhor. Segundo o cacique, “Para esse Empretec indígena ser o primeiro aqui, houve uma plantação lá atrás, e aqui estamos plantando outra semente, e tenho certeza de que um dia, essa semente que plantamos hoje, vai gerar frutos, e quem vai poder desfrutar dessas conquistas que hoje essas mulheres estão aprendendo é nossa juventude”.

IMAGEM: [Rosalina Martins de Souza produz pães veganos e pretende, depois do curso, divulgar seu produto de acordo com o diferencial que ele possui, além de investir em novos produtos: “pães enriquecidos com produtos do cerrado”]

Entre as participantes do Empretec, Elizangela Eliandra afirmou que a experiência desta semana superou suas expectativas. Para ela, o curso “trouxe outra visão sobre o empreender, que vai mudar toda a visão de nossa comunidade em relação às mulheres. Elas terão mais conhecimento sobre o empreendedorismo, autonomia, e buscarão pela auto-sustentabilidade para suas famílias, atingindo também toda a comunidade”.

Dessa forma, o povo indígena Ofaié insiste e persiste, transmitindo seus conhecimentos e habilidades também através do trabalho artesanal. Através do Empretec, tal trabalho ganhou destaque e deve continuar superando as barreiras, dando cada vez mais autonomia para essas mulheres e toda sua comunidade.

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