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Amor que sinto na pele: Carolina parou com medicação de doença dermatológica para ser mãe

Às vezes é preciso sacrificar certas coisas por um bem maior, mesmo que você vá sofrer.

Hojemais - Iolanda Carvalheiro
11/05/18 às 13h35
(Luana Francis)

Às vezes é preciso sacrificar certas coisas por um bem maior, mesmo que você vá sofrer. Carolina Ferreira de Lima, de 32 anos, seguiu seu sonho de ser mãe, apesar das dificuldades que passaria pela frente.

Carolina tem uma doença dermatológica genética chamada Eritroceratodermia Variabilis de Mendes da Costa, que faz com que sua pele crie feridas que causam forte ardência e dores.

Casou-se em 2013, e desde então decidiu que iria engravidar. Sua medicação é extremamente forte, e tem efeito abortivo, e pode fazer com que o bebê que nasça tenha problemas. Para conseguir engravidar é necessário ficar 3 anos sem tomar a medicação.

“Eu casei em novembro de 2013, e a partir desta data eu parei de tomar o remédio. A consequência disso é o aparecimento de manchas avermelhadas na pele, e logo essa camada fica marrom saltada e descasca. E isso queima demais”, falou.

Carolina explica que o corpo muda de temperatura, ficando quente, e frio muito rapidamente.

Parar com sua medicação não foi uma decisão fácil para ela e sua família. Toda a família de seu pai tem a doença, eles sabem como é complicada a pausa do remédio.

“É muito complicado, eu fiquei mais de 20 anos tomando essa medicação sem parar, não lembrava mais como era ficar sem essa medicação”, disse.

O primeiro ano foi o mais difícil. Suas manchas começaram a aparecer, e no calor tudo ficava pior. Independente do clima, o que ajuda a aliviar as dores são coisas quentes, seja tomar banho quente, ou vestir um agasalho.

As dores eram diárias, queimações parecidas com queimadura de ferro quente.

“Muitas vezes eu chegava do trabalho, ia tomar banho, e chorava de soluçar, meu marido me confortava dizendo ‘vai passar amor, isso é uma boa causa, pensa no que vai resultar disso’”, comentou.

O tempo foi passando, e a cada dia as esperanças eram menores. Após o primeiro ano, as dores já não eram tão fortes e Carolina se adaptou aos hábitos de conviver com a doença.

Em 2016 completaram-se 3 anos desde parou com a medicação, e então parou também com o anticoncepcional.

Entre diversas tentativas frustradas, em 2017, Carolina ficou três meses sem menstruar, e a cada atraso uma nova chama se acende.

“Acabou dando negativo. Você faz exame, e acaba dando negativo, e você pensa que todo mundo engravida menos você. Quando você planeja uma gravidez, parece que nunca você é premiada. 

Todos a sua volta ganham um presente, um prêmio e você fica esperando. É muito frustrante. Eu até brinco com meus colegas do serviço que tem gente que encontra uma pessoa uma vez na vida e engravida, mas quando você planeja, quando você mentaliza, é uma coisa que você quer tanto, que parece que não chega. Mas Deus sabe a hora certa.”, disse.

Neste ano, no mês de abril, Carolina fez uma viagem com seu marido, e acabou enjoando no carro, e isso ficou na sua cabeça.

“Uma amiga minha do serviço infelizmente tinha perdido um bebê, ela disse ‘Carol não brinca com isso não, você está planejando a tanto tempo, faz um exame de sangue’”, afirmou.

Quando chegou em casa naquele dia, Carolina fez um teste de farmácia, e dois riscos apareceram, mas um falhado. Emocionada, mas com medo, acabou esperando até o dia seguinte para fazer um exame de sangue.

“Na terça-feira de manhã eu fui no laboratório, fiz o de sangue, fui para o serviço trabalhei normalmente. E no laboratório que eu faço eles mandam o resultado na internet. Na hora que eu olhei, estava positivo. Eu chorei um tanto, fiquei muito feliz. Semana passada eu fiz ultrassom, estou de quatro semanas, está bem recente ainda, mas eu estou feliz demais. Foi uma coisa que eu planejei muito”, falou.

No mesmo dia em seu horário de almoço Carolina fez uma surpresa para seus pais, é o primeiro neto de sua família. Comprou uma caixinha, colocou uma roupinha dentro, com uma carta “a mamãe falou que o vovô Leopoldo vai fazer uma casinha na árvore pra mim, e a vovó Eleusa vai fazer as melhores papinhas de frutinhas do quintal, não vejo a hora!”.

“Foi muita comoção, para todos os lados, minha irmã chorou muito, meu marido também e a gente está muito feliz de receber essa benção aqui na nossa família. Vai ser um Dia das Mães muito esperado e muito alegre”, finalizou Carolina.

Nós do Hojemais e grupo Agitta Comunicações, desejamos tudo de melhor para vocês, e que sua gravidez seja a mais tranquila e linda possível! Boa sorte, e um feliz Dia das Mães para a mais nova mamãe!

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