Elas já foram chamadas de muitas coisas e, agora, as criptomoedas são relacionadas ao futuro da transação monetária. Desde 2009, o Bitcoin, por exemplo, vem sendo fonte de renda para milhões de pessoas no mundo e de milhares de ‘investidores’ no Brasil.
Em Três Lagoas, por exemplo, existem pessoas que optaram por arriscar e investir nessa moeda virtual. O ex-vereador e hoje responsável pelo CIAT - Welton Irmão - é um dos investidores que residem em Três Lagoas. “Vi vantagem em investir nessa moeda, pois posso fazer um trade com ela; comprar quando estiver em baixa e vender quando estiver em alta. É uma possibilidade grande o sistema de investimento com base especulativa” - comenta o investidor.
Segundo ele, o Bitcoin, moeda escolhida por ele, não é a única no mundo nesse gênero. “Há muitas moedas no mercado e muitos países que ‘mineram’ essas criptomoedas; mas, o Bitcoin ainda é a mais famosa e mais rentável” - detalha ele, mencionando que o Paraguai é o país que mais moedas consegue minerar.
Mineração
O processo de mineração utiliza de energia elétrica e computadores com placas de vídeo potentes. Welton comenta que o Paraguai consegue sustentar, na América do Sul, a mineração pelo baixo custo da energia elétrica e, com isso, é possível extrair um Bitcoin por mês com os computadores ligados 24 horas por dia.
Depois de mineradas, essas moedas virtuais são ‘lançadas’ no mercado financeiro virtual e começam a ser transacionadas (vendidas).
Valores
Há alguns meses, segundo o investidor três-lagoense, comprar um Bitcoin estava custando ‘apenas’ cinco mil reais. Até o momento do fechamento dessa matéria, a compra de um Bitcoin só era possível se o interessado dispusesse de R$29.526,13. “A tendência é que essa moeda chegue a custar cem mil dólares” - diz Welton, que menciona o clube de futebol do Real Madrid como usuário da criptomoeda. “Eles estão aceitando a moeda virtual como forma de pagamento em alguns setores de marketing do clube” - comentou.
Não é pirâmide
Welton Irmão também é daqueles que tiveram receio quando ouviu falar; mas, depois de muitas pesquisas, acabou se tornando um crédulo investidor. “Todo mundo acha que, quando falamos de criptomoedas, falamos de plataforma de multinível - uma coisa não tem nada a ver com a outra. São coisas completamente diferentes e com resultados distintos” - enfatiza ele, que comemora o fato de poder, por exemplo, transformar o valor de seus investimentos virtuais em dinheiro físico de qualquer país.
Questionado a respeito da segurança dos investimentos, Welton Irmão diz que “não vê nenhum risco e que a solidez de mercado da moeda é muito forte”.
Há quem discorde
O Hojemais também conversou com o economista Roberto Moraes, formado pela Universidade Estadual de Maringá e, também, diretor da AJE (Associação de Jovens Empresários de Três Lagoas). Segundo ele, o assunto é complexo e merece bastante atenção. “Eu mesmo não consigo dizer que domino o tema em sua totalidade, mas existe uma incerteza sobre o futuro das criptomoedas; isso acontece, até mesmo, por parte das maiores referências do mercado financeiro mundial” - comenta.
Roberto também destaca alguns pontos em relação às criptomoedas. Ele diz que “a tecnologia por trás desse novo modelo de negócios veio para ficar e tem potencial para gerar outras inovações”. E continua:
“As criptomoedas não possuem lastro, nem mesmo regulação do Estado que, por sua vez, não tem obrigação nenhuma de garantir o valor destas, tornando o aumento progressivo desse valor como mera especulação das leis de oferta e demanda” - conclui ele.
Questionado a respeito do motivo que levou tanta gente a investir no modelo de transação virtual, o economista destaca que “foi, basicamente, a busca pelo dinheiro fácil e rápido”. “As pessoas conhecem histórias de outros que investiram e se deram bem e começam a arriscar e investir também, elevando os preços até o dia da bolha estourar” - diz ele, citando o caso da Bolha das Tulipas - na Holanda, em 1593 - quando inúmeras pessoas começaram a vender tulipas -até então, naturais da Constantinopla, hoje Istambul - atrás de dinheiro fácil.
“Outro ponto bastante preocupante é que, por se tratar de moedas não reguladas pelo Estado, elas se tornam mecanismos de lavagem de dinheiro sujo, como: tráfico de drogas, de pessoas, corrupção, etc., mas, acredito que o futuro das transações monetárias é o digital. Havendo a extinção do papel moeda” - finaliza o economista.