Quase metade das mulheres brasileiras já sofreu algum tipo de assédio sexual durante o Carnaval. É o que revela uma pesquisa do Instituto Locomotiva, divulgada nesta semana, que também aponta que 80% delas têm medo de passar por esse tipo de situação durante a festa.
O levantamento, realizado com 1.503 pessoas maiores de 18 anos em todo o país, mostra ainda que 86% dos entrevistados reconhecem que o assédio continua sendo um problema no período carnavalesco.
De acordo com a pesquisa, o medo de sofrer violência sexual influencia diretamente a forma como as mulheres aproveitam a festa. Muitas adotam estratégias de proteção, como sair apenas em grupo, evitar determinados horários e planejar trajetos considerados mais seguros.
O estudo também analisou percepções sobre comportamentos relacionados ao Carnaval. Entre os entrevistados, 22% concordam com a ideia de que quem está sozinho na festa “quer ficar com alguém”. Outros 18% acreditam que a roupa usada por uma mulher pode indicar intenção de beijar, e 17% consideram que, durante o Carnaval, “ninguém é de ninguém”.
Além disso, 10% dos entrevistados afirmaram ser aceitável que um homem beije uma mulher alcoolizada sem consentimento, prática que configura violência sexual. Em todas essas situações, o grau de concordância foi maior entre os homens.
Apesar dos dados preocupantes, a pesquisa também apontou que a maioria da população reconhece a necessidade de combater o assédio. Para 86% dos entrevistados, o enfrentamento da violência durante o Carnaval é uma responsabilidade coletiva, e 96% consideram importantes as campanhas de conscientização realizadas nesse período.
Com informações de Agência Brasil.
