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Censo 2022 revela queda na fecundidade e adiamento da maternidade no Brasil

O Censo Demográfico de 2022, divulgado nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que as brasileiras estão tendo menos filhos e adiando cada vez mais a maternidade.

Andressa de Paula - Hojemais Três Lagoas
27/06/25 às 10h30
Foto: Reprodução/FG Trade Latin/ Getty Images Embed

Nesta sexta-feira (27), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou os dados do Censo Demográfico de 2022. De acordo com o censo, atualmente as brasileiras estão tendo menos filhos e adiando a maternidade. A pesquisa foi realizada considerando mulheres na faixa etária de 15 a 49 anos.

De acordo com o IBGE, a taxa de fecundidade das brasileiras tem caído desde a década de 1960. Conforme o censo, em 2022 a média de filhos por mulheres em idade reprodutiva, caiu para 1,55 no Brasil. Em 1960, essa mesma taxa era de 6,28 filhos por mulher. Essa média caiu para 5,76 em 1970, para 4,35 em 1970, para 2,89 em 1991 e em 2000, a taxa era de 2,38. Já em 2010, a taxa era de 1,90 filhos por mulher.

Desde 2010, a taxa de fecundidade entre as mulheres brasileiras, está abaixo da chamada taxa de reprodução populacional, que é de 2,1. Essa taxa seria a média de filhos por mulher necessária para manter a população estável.

Segundo a pesquisadora do IBGE, Marla Barroso, a transição da fecundidade no Brasil foi iniciada durante a década de 60 nas unidades da federação economicamente mais desenvolvidas da região Sudeste, em grupos com maior nível educacional e em áreas urbanas.

Na região Sudeste, a taxa de fecundidade ficou em 1,41, sendo a menor do país no censo de 2022. Na região Sul, a taxa ficou em 1,50, também abaixo da média nacional. E no Centro-Oeste, a taxa era de 1,64.

Já nas regiões do Norte, a taxa de fecundidade no último censo foi de 1,89, a mais alta do país em 2022. Na região Norte, a taxa ficou em 1,60, estando abaixo do Centro-Oeste. Entre os estados brasileiros, Roraima é o único com a taxa acima da reposição populacional, sendo de 2,19 filhos por mulher. Na sequência aparecem Amazonas (2,08) e Acre (1,90). Entre aqueles com menores taxas, em destaque o Rio de Janeiro (1,35), Distrito Federal (1,38) e São Paulo (1,39).

Além da queda da taxa de fecundidade, a pesquisa também revelou que as mulheres estão tendo filhos com idades mais avançadas. A idade média da fecundidade no Brasil passou de 26,3 nos anos 2000 para 28,1 em 2022. Essa tendência foi observada em todas as regiões do país.

Em 2022, a região Norte apresentou a menor idade entre as demais (27 anos), enquanto no Sudeste e Sul, foram apresentadas as maiores taxas (28,7 anos). Entre as unidades federativas, a idade média de fecundidade mais alta foi a do Distrito Federal, sendo de 29,3 anos e a mais baixa foi a do Pará, de 26,8 anos.

O levantamento realizado pelo Censo Demográfico de 2022 também aponta que o cresceu o grupo de mulheres que chegam ao fim da idade reprodutiva sem filhos. O percentual de mulheres de 50 a 59 anos que não tiveram filhos nascidos vivos, segue em alta. Em 2000 o percentual era de 10%, passando para 11,8% em 2010 e tendo um aumento expressivo em 2022, com 16,1%.

Outras questões como religião, raça e escolaridade também impactam essa queda na taxa de fecundidade entre as mulheres brasileiras de acordo com os dados do IBGE.

O cenário revelado pelo Censo Demográfico de 2022 reflete mudanças profundas no perfil da maternidade no Brasil. A queda contínua da taxa de fecundidade, o adiamento da decisão de ter filhos e o aumento do número de mulheres que encerram o período fértil sem filhos demonstram transformações sociais, econômicas e culturais significativas.

Esses dados não apenas sinalizam uma nova configuração familiar no país, como também trazem implicações importantes para as políticas públicas voltadas à saúde, educação e previdência, reforçando a necessidade de adaptação do Estado às novas realidades da população brasileira.

 

Com informações de Agência Brasil.

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