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Cesp tem lucro bilionário com crédito tributário

Desde que foi privatizada pelo Estado de São Paulo em 2018, a Cesp entrou em um intenso processo de “arrumação” da casa

Hojemais Três Lagoas
23/02/20 às 08h45
Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, conhecida como Porto Primavera (Foto: Cesp)

Completando um ano sob nova gestão, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) fechou o quarto trimestre de 2019 com um lucro líquido de R$ 1,33 bilhão, 22,5 vezes maior que os R$ 59,2 milhões registrados um ano antes.

O montante, que sucede uma série de prejuízos trimestrais, foi impulsionado por um efeito não recorrente de R$ 1 bilhão em créditos tributários de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) diferidos.

O valor foi reconhecido agora devido a uma mudança de patamar de lucratividade prevista para os próximos meses.

Além disso, os números da Cesp no trimestre foram positivamente impactados pela reversão de um “impairment”, com a reavaliação econômico-financeira de ativos, principalmente a usina de Porto Primavera.

Com o resultado do quarto trimestre, no acumulado de 2019, a companhia elétrica obteve lucro líquido de R$ 1,16 bilhão, ante ganho de R$ 294,43 milhões de 2018.

No lado operacional, a Cesp assistiu a um aumento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no trimestre, para R$ 257 milhões, quase quatro vezes superior ao do quarto trimestre do ano anterior.

Esse valor se refere ao indicador no critério ajustado, que exclui itens como provisões para litígios e o programa de demissão voluntária (PDV). Em 2019, o Ebitda ajustado subiu 50% frente a 2018, para R$ 751,8 milhões.

Segundo a empresa, essa melhora do Ebitda decorre, principalmente, de uma gestão mais eficiente do balanço energético, evidenciada pela queda do custo da energia comprada.

No ano passado, foram adquiridos 212 megawatts (MW) médios para fazer frente ao déficit do balanço energético a um preço de R$ 259 por megawatt-hora (MWh), ante 240 MW médios comprados em 2018 ao preço de R$ 357/MWh.

A Cesp vem trabalhando desde o ano passado nas estratégias para equalizar seu balanço energético deficitário até 2022 e diz que, para este ano, já garantiu a cobertura de mais de 80% de sua exposição ao risco hidrológico.

Ainda nessa área, a companhia elétrica informou ter iniciado, em janeiro, as operações de sua nova comercializadora.

A subsidiária ajudará na gestão otimizada do balanço energético, seja na compra de energia para mitigação de riscos, seja no mapeamento das melhores estratégias para a venda da energia disponível no longo prazo.

Desde que foi privatizada pelo Estado de São Paulo, em dezembro de 2018, a Cesp entrou em um intenso processo de “arrumação” da casa.

Sob o controle do grupo Votorantim e do fundo canadense CPPIB, estão sendo realizadas mudanças em processos internos, sistemas, gestão de pessoas, incentivos e remuneração, gastos e outras áreas.

Entre as iniciativas, esteve o lançamento de dois PDVs, que tiveram adesão de 351 funcionários (67% do total elegível) e custaram R$ 111 milhões à empresa.

Uma das principais tarefas nessa nova fase é a redução do enorme contencioso passivo, que atinge hoje cerca de R$ 11,4 bilhões, sendo que R$ 1,8 bilhão está provisionado.

Em 2019, o saldo total de passivos diminuiu em R$ 1,5 bilhão (antes de atualização monetária) - R$ 614 milhões só em casos considerados prováveis -, como resultado de julgamentos favoráveis à empresa e acordos judiciais com algumas contrapartes.

No quarto trimestre, houve progresso favorável em casos estratégicos para a Cesp, e as ações do período levaram a uma redução de R$ 794 milhões (antes de atualização monetária) frente ao total de contingências do fim de setembro.

Diante do resultado de 2019, a Cesp levou à aprovação de seu conselho de administração uma distribuição de dividendos de R$ 606 milhões aos acionistas, pouco mais que o dobro do pago a referente 2018.

O valor corresponde a uma distribuição de 52% (“payout”) do lucro líquido e a um retorno com dividendos (“dividend yield”) em torno de 6%.

O pagamento deve acontecer em duas parcelas, em abril e em outubro.

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