No ano de 2016, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) divulgou dados alarmantes a respeito da drogadição infantil e na adolescência. O estudo foi com alunos 9º ano em escolas públicas e privadas de todo o país, a maioria entre 13 e 15 anos e os resultados apontaram um aumento de 50,3%, em 2012, para 55,5% em 2015 no consumo de álcool entre jovens, no mesmo período o consumo de drogas ilícitas foi de 7,3% para 9%. Ainda de acordo com a pesquisa, também houve um aumento na prática de sexo sem preservativos, de 24,7% para 33,8%.
“Essa temática é muito interessante, inclusive em Três Lagoas nós já incitamos muito isso no executivo. Hoje no nosso município se não fosse o acordo que temos entre Conselho Tutelar e Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas) não teríamos atendimento para crianças e adolescentes em situações de vício em substâncias psicoativas” – afirmou o coordenador do Conselho Tutelar, Daniel Batista Rosa.
Para Batista o grande problema do município no enfrentamento e tratamento para essas crianças e adolescentes que vivem nesta situação, está interligado ao fato de que Três Lagoas não tem um estrutura direcionada a esse público.
“O Caps AD aqui do município é para adultos e não para menores de 18 anos. Essas crianças estão se viciando cada vez mais cedo e para não ficarmos desassistidos nas políticas públicas, foi feito um acordo com o Conselho Tutelar para que esses menores sejam igualmente encaminhados para o Caps. No entanto o que falta em TL é um Caps Infantil” – ressaltou Rosa.
Outro problema enfrentado por Três Lagoas, refere-se ao fato de não termos um centro de reabilitação terapêutica e quando necessário realizar uma internação compulsória, a criança ou adolescente é encaminhada para uma clínica conveniada que fica no interior de São Paulo.
Diante desse cenário, a reportagem também conversou com o Pastor Nilson Silva Oliveira, que auxilia no Projeto Jovem Peniel em Três Lagoas, trabalhando na recuperação de pessoas em situação de vícios e durante alguns anos teve contato direto com menores de idade que estavam em busca da reabilitação.
“Quando atendíamos esse público, cheguei a receber um menor de 14 anos, ele mesmo nos procurou pedindo ajuda, por não suportar mais viver em um lar totalmente destruído pelas drogas e pelo álcool, sendo a mãe e o pai alcoólatras o irmão viciado traficante e uma irmã prostituta. O menor já havia usado drogas e não suportava mais ver o que estava acontecendo na sua família” – contou o Pastor.
O jovem chegou a ser acolhido pelo projeto, fez tratamento durante seis meses que é o prazo da recuperação e depois teve que ser devolvido ao âmbito da família, devido determinação da justiça.
“O que mais me comoveu é que a criança não queria voltar para sua casa depois de experimentar viver confortavelmente e ser amado dentro do projeto Desafio Jovem Peniel, contudo a lei precisava ser cumprida. A família não quis passar pelo processo de recuperação e infelizmente aquele adolescente teve que conviver naquele ambiente e todo aquele processo de recuperação feito com o garoto foi de uma certa forma em vão” – finalizou Nilson .
Hoje em Três Lagoas, já existe uma petição solicitando o Caps Infantil no município, no entanto a mesma nunca saiu do papel, o que gera grande preocupação, devido a quantidade alarmante de crianças e adolescentes viciadas em substâncias psicoativas.