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Em Três Lagoas, enfermeira está há 37 dias sem abraçar os filhos

Ângela Cristina dos Santos, 52 anos, disse que apesar dos riscos que ela corre, o que mais tem mais a feito sofrer é a saudades de abraçar os filhos.

Aurora Villalba - Hojemais/ Três Lagoas
27/04/20 às 12h05

Ângela Cristina dos Santos, 52 anos, é  enfermeira na Clínica da Mulher na cidade de Três Lagoas e realiza plantões no  Hospital Regional de Mirandópolis (SP).

Com 31 anos de profissão, dos quais, 12 anos, no município,  Ângela é pós-graduanda em obstetrícia e ginecologia pela UNOESTE/SP está na linha de frente na luta contra o  contagio do COVID-19 no município.

A enfermeira, além de sua rotina puxada de trabalho também atende os  inúmeros protocolos que foram implantados por conta da pandemia, mesmo assim, tem  arrumado um tempinho para gravar vídeos e postar em suas redes sociais onde reforça  a importância da prevenção e que a população reconheça que o momento é muito serio.

Experiente, Ângela Cristina dos Santos disse que já ter vivenciado várias situações preocupantes, como a  AIDS, H1N1, dentre outras, durante sua caminhada profissional, mas nada é parecido e assustador como o COVID-19.

Afirmou que sente segura em relação a seu ambiente de trabalho porque todas as providências quanto segurança dos servidores e da população foram providenciados pela Secretaria Municipal de Saúde, e que os trabalhadores são qualificados.

Acrescentou, que o que mais a preocupa e a deixa insegura é o comportamento de grande parte da população, que parece não querer entender, não aceitar o que está acontecendo e  não colabora como deveria quanto ao isolamento social.

A conversa, com a enfermeira fluiu  e foi bastante enriquecedora, pois tivemos a oportunidade de saber através da mesma como está a rotina de trabalho dos profissionais do setor da  saúde no município.

Durante o bate papo com a enfermeira, pudemos, perceber, que apesar dos riscos de se contaminar, o que mais a tem machucado e a feito sofrer é a saudades dos abraços que ela dava em seus filhos que não acontecem há 37 dias.

Ângela, expliou que é obrigada neste período de pandemia a não dar e recusar o abraços de seus dois filhos. Que mesmo sentindo muitas saudades de um contato mais próximo, que ela  não irá se aproximar e nem permitir que eles, os filhos, também o façam.

" Os meus sapatos e roupas ficam do lado de fora da casa. Tudo é lavado e higienizado, quando eu chego, e rapidamente. Corro para o banheiro, tomo um banho demorado, não tomo café ou faço as refeições junto com meu filho caçula que mora comigo. Ele vai primeiro, depois eu vou. Evitamos ficar próximos um do outro e ficamos um por vez nos cômodos da casa. É difícil, nos estamos tristes, carentes, porém é necessário, que façamos  isso, que sejamos cautelosos,  porque é nos isolando socialmente,  e mantendo rigorosamente os devidos cuidados com a nossa  higiene pessoal é que tudo isso irá passar e que vamos vencer este vírus" disse emocionada a enfermeira,  Ângela Cristina dos Santos.

Ao revelar a sua nova rotina a enfermeira  foi possivel perceber o quanto os  profissionais da saúde de Três Lagoas tiveram suas vidas totalmente modificadas. Se, não está bom para nós 'população',  com certeza está sendo muito pior para os médicos, enfermeiros, auxiliares, que seguer podem abraçar suas esposas, namoradas, filhos e netos. 

Assista parte de um dos vídeos onde onde Ângela Cristina dos Santos fala sobre os cuidados que devemos ter neste período de pandemia!

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