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Estudo revela que desinformação gerada por IA triplicou no Brasil

Quase 45% dos conteúdos falsos têm viés ideológico; Lula, Bolsonaro e Alexandre de Moraes são as figuras públicas mais visadas por deepfakes.

Da Redação
06/02/26 às 08h12

A propagação de desinformação gerada por inteligência artificial (IA) mais do que triplicou no Brasil entre 2024 e 2025, registrando um crescimento de 308%. A informação é do primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, um estudo inédito do Observatório Lupa que mapeia tendências, alvos e principais estratégias de desinformação no país, divulgado nesta quinta-feira (5).

A pesquisa analisou, de forma qualitativa e quantitativa, os 617 conteúdos verificados pela agência em 2025, comparando-os com os 839 analisados em 2024.

Os dados revelam que os deepfakes e outros conteúdos enganosos criados com IA passaram de 39 ocorrências em 2024 – o que representava 4,6% do total de checagens realizadas pela Agência Lupa naquele ano – para 159 casos em 2025, equivalente a 25% das verificações. Esse salto representa um aumento de 120 conteúdos falsos produzidos com a tecnologia.

Deepfakes são recursos tecnológicos que permitem a alteração realista de rostos e vozes em vídeos, gerando conteúdos audiovisuais que podem veicular informações falsas.

Segundo esta primeira edição do estudo, que será anual, o ecossistema da desinformação passou por uma mudança estrutural. Em 2024, a IA era utilizada principalmente para a criação de golpes digitais, como deepfakes de celebridades promovendo sites fraudulentos. Já em 2025, a tecnologia passou a ser usada estrategicamente como uma arma política: quase 45% dos conteúdos com IA apresentavam viés ideológico, ante 33% no período anterior.

O Observatório Lupa identificou que mais de três quartos dos conteúdos com IA que circularam em 2025 exploraram a imagem ou a voz de personalidades conhecidas, especialmente de lideranças políticas. O levantamento apontou 36 ocorrências de material falso direcionado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva; 33 ao ex-presidente Jair Bolsonaro; e 30 ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

De acordo com o panorama, o uso do WhatsApp para difusão de desinformação caiu de quase 90% em 2024 para 46% em 2025. Para os pesquisadores, isso não significa que as fakes news diminuíram na plataforma, mas que agora há uma maior dispersão por diferentes canais.

Além do Facebook, Instagram, Threads, WhatsApp e X, que já eram vetores conhecidos, plataformas como Kwai e TikTok, ambas redes sociais de vídeos curtos, ganharam relevância na disseminação de conteúdos falsos.

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