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Experiência espiritual é revelada por grafiteiro três-lagoense 

A experiência do artista quando compartilhada arrepia e a emoção se torna visível na fala do grafiteiro, que liga o ocorrido a sua fé.

Julia Rafaela  - Hojemais Três Lagoas 
22/04/19 às 13h16

Aos poucos a cidade vai ganhando cor, o muro esquecido vira um mural cultural e o desenho estampado traz consigo uma mensagem, uma reflexão e um brilho nos olhos dos apreciadores.

Esse é o trabalho do artista três-lagoense Joelson Campos. A nove anos o grafiteiro se dedica a arte de rua e transforma os muros da cidade em telas de pintura.

O olhar atento capta os pequenos detalhes, e aquilo que visível a olho nu ganha tamanho e forma. Atualmente Joelson trabalha em parceria com a Prefeitura de Três Lagoas e os projetos para o munícipio só aumentam.

“Minha história com a arte começou ainda muito cedo, eu costumo dizer que matava aula dentro da sala de aula, porque eu ficava o tempo todo desenhando, se você olhasse meu caderno só tinha desenhos” – relembra o artista.

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O grafiteiro também relembrou do início difícil e das diversas vezes que abandou trabalhos fixos para se dedicar e viver do grafite. De início a profissão apresentava altos e baixos e obrigava o artista a procurar outras formas de sustento.

Hoje esse sonho de viver da arte, já é realidade para o artista, que há cerca de cinco anos tem o grafite como seu único meio de sustento.

O dom que já era notável quando ainda menino e se fortificou ainda mais com o decorrer do tempo, Joelson conta que todo seu processo de criação é mentalizado.

Artista Três Lagoense Joelson Campos (Foto: Aurora Villalba)

“Eu não fico preso a papel, eu fico mentalizando, solto minha mente e fico imaginando e a maioria das coisas saem na hora, eu olho para parede e a cabeça começa a trazer os desenhos” – contou o grafiteiro.

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Durante a entrevista o artista também ressaltou a sua forte ligação com a fé e a religião e realizou uma grande revelação espiritual que teve durante um de seus trabalhos, que se tornou um marco em sua vida e em sua carreira.

“Eu abracei um trabalho no túnel da antiga estação ferroviária, e todas as vezes que você vai fazer um desenho grande você precisa de espaço para que você consiga olhar proporcionalmente e o túnel e um corredor, eu não tinha esse espaço pra olhar e ter noção de profundidade, então eu parava, me encostava na parede e tentava ter mais distância e não conseguia. Nesse dia minha mente me pregou uma peça tão massa que eu nunca mais esqueci, quando eu continuei o desenho e comecei a fazer os detalhes a parede sumiu, eu não conseguia enxerga-la, e se abriu um horizonte na profundidade que eu estava fazendo eu só consegui encontrar a parede novamente quando eu a toquei, porque por um instante era como se ela não estivesse mais ali, olha que coisa mais louca e eu nunca mais esqueci isso e também nunca mais tive uma experiência como essa”- relembrou extasiado o artista.

Na época a arte seria para representar a paisagem sul-mato-grossense e a onça era um elemento fundamental para compor a obra.

“Eu não sabia desenhar uma onça, e eu só conseguia pedir para Deus me ajudar, foi quando eu comecei a ouvir a voz dele em meu ouvido, ele foi me dando instruções de como fazer...Algumas tonalidades a gente precisa medir pingando com o conta gotas e eu ia pingando e falava “não tá bom, agora põe uma gota de preto”, foi muito legal” – continuou Joelson.

A experiência do artista quando compartilhada arrepia e é visível ver a emoção na fala do grafiteiro, que liga o ocorrido a sua fé.

Com o passar dos anos a arte de rua, assim como o grafite foi ganhando olhares diferentes, sendo vista como uma manifestação artística em espaços públicos, mas nem sempre foi assim, em 2017 o ex prefeito de São Paulo João Doria autorizou a decisão de apagar os murais da 23 de Maio, na época considerado o “maior mural de grafite a céu aberto da América Latina”.

Os murais haviam sido pintados por cerca de 200 artistas. A decisão gerou indignação e um dia após as obras serem cobertas por tinta cinza os muros amanheceram com manchas coloridas feitas como uma forma de protesto.

Imagem divulgação

Para o grafiteiro três-lagoense tudo é questão de tempo, Joelson fala que  o apoio da Prefeitura de Três Lagoas é algo fundamental para seu trabalho.  

“Onde você vê grafite de uma Prefeitura que contratou um grafiteiro para trabalhar para eles? onde devia começar é onde já começou. Aqui dentro do prédio da Prefeitura cada andar tem uma obra minha, então agora é só uma questão de tempo, porque estão fazendo e estão divulgando” – ressaltou Joelson.

O grafiteiro finalizou a entrevista atribuindo um grande significado da arte de rua em sua via.

“A arte de rua pra mim se tornou um sinal do cuidado de Deus, eu nunca fui aquele cara que preparou a vida para o futuro, quando eu era mais novo eu me envolvi com muitas coisas erradas e hoje eu olho e tenho tudo isso como um símbolo do cuidado Deus” – finalizou Joelson.

A última obra do artista, foi divulgada pela reportagem ainda na semana passada, e está sendo realizada no muro do ADEN em prol da campanha ‘Adote um Animal’.

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