“Viva o Turismo de São Paulo!”, essa foi a exaltação administrativa em Castilho para um grupo de 100 visitantes (pagantes) depois da primeira incursão do Barco Odisséia no rio Paraná na última quinta-feira 9.
O bem lembrado foi que Castilho CORRE atrás do título de “Município de Interesse Turístico”.
No passado perdeu a chance de entrar no “rol” das estâncias turísticas e a prefeita Fátima Nascimento é a quinta pessoa a sentar na cadeira de prefeito a correr atrás do sonho dourado do turismo. Antes dela o saudoso marido, José Miguel do Nascimento havia sido o primeiro a falar de turismo na cidade, depois teve o Adão Severino Batista, o Joni Marcos Buzzachero e o Dr Antônio, e lá se vão mais de 30 anos em que, em algum momento administrativo o prefeito ressalta a importância do turismo para salvar a cidade.
O que foi comum aos quatro antes de Fátima foram os gastos com viagens, projetos e marketing da cidade atrás do sonho que parece até mesmo uma cenoura amarrada a uma vara. Como os outros Fátima encheu um evento de celebridades e autoridades e se pôs a navegar no rio na companhia da secretária-adjunta e interina do Turismo do Estado, Bianca Colepicolo. No passado outras personalidades políticas, e até mesmo governadores do Estado de São Paulo fizeram o tal compromisso salvador de implementar o turismo em Castilho.
Num raio-x, sem paixão nenhuma, em poucas dezenas de palavras podemos descrever o atual status do turismo na cidade: ranchos à margem do rio Paraná, a jusante e montante. Nos condomínios familiares, em sua maioria de pessoas da região, em especial de Andradina, que alí passam fins de semana comprando em mercados de suas cidades de origem e levando até a gasolina de fora da cidade. Há moradores fixos na Vila dos Operadores que também fazem suas compras, estudam e adquirem produtos em Três Lagoas e Andradina e se abastecem de produtos que faltam em pequenos comércios lindeiros.
À jusante da Usina Jupiá, os ranchos tem o mesmo perfil, além da presença de proprietários locais ainda existem sócios de “longe” que sonham com a volta dos tempos do Paraíso do Pescador e o sonho de pescar em um só dia mais de 100 piaparas. Enquanto a volta do vigor do rio não chega eles enchem os freezers de todo o peixe que puderem pegar e voltam para as suas cidades de origem. Turismo predatório, que diminui não pela conscientização mas, pela falta da pesca abundante. Outra modalidade de turismo que abunda em Castilho é o sexual, motivado pelo movimento ligado a atividade pesqueira.
Nada disso é culpa do município, que sim tem potencial de ser um dois destinos turísticos nessa região dos grandes lagos “predestinada” para o turismo de água doce. Mas faltam políticas públicas, pois quando é para vender o peixe tudo são maravilhas, mas na hora de fechar a fatura, todas as decisões são técnicas, como a visitante da vez, Bianca Colepicolo, deixou bem claro.
Me faz pensar no grande potencial da paciência do povo castilhense, essa sim uma matéria sólida a ser estudada. E talvez quem saiba, a grande salvação através do turismo para Castilho, sejam dos prefeitos que souberam optar pelo tema em momentos de baixa popularidade de seus governos. Espero que o mesmo não ocorra a Fátima Nascimento e que tenha a sorte de que o Turismo deixe de ser Milonga em Castilho.