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Francisco Cuoco morre aos 91 anos e deixa legado na história da dramaturgia brasileira

Francisco Cuoco faleceu na última quinta-feira (19), deixando um legado de mais de seis décadas nos palcos e, nas telas do cinema e da televisão brasileira.

Andressa de Paula - Hojemais Três Lagoas
20/06/25 às 08h33
Francisco Cuoco na novela 'O Gigante' em 1979 (Foto: Reprodução/Nelson Di Rago/Globo)

Um dos maiores ícones da dramaturgia nacional, o ator Francisco Cuoco, faleceu aos 91 anos, na última quinta-feira (19). A família confirmou que a causa da morte foi falência múltipla dos órgãos. O artista partiu às 14h54min, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, segundo os familiares, de forma tranquila e serena.

Nascido em 1933, na região central da capital paulista, Cuoco enfrentava complicações de saúdes decorrentes da idade. O ator possuía uma carreira de mais de 60 anos, atuando no teatro, cinema e televisão. Com uma carreira que atravessou gerações, o ator construiu um percurso artístico admirável, com mais de seis décadas de dedicação ao teatro, cinema e televisão brasileira.

Na infância, sua paixão pela arte começo no quintal de sua casa, o circo que montava acampamento em frente à residência encantava o pequeno Francisco que a partir dali começou a se interessar pela arte. Após prestar vestibular, aos 20 anos, o ator trocou o Direito pela Escola de Arte Dramática de São Paulo, depois de formado ele já fazia parte do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Em 1959, Francisco entrou no Teatro dos Sete, composto por Gianni Ratto, Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Fernando Torres, Sérgio Britto, Luciana Petruccelli e Alfredo Souto de Almeida, grupo responsável por grandes transformações no teatro brasileiro da época.

Foto: Reprodução/TV Globo/João Miguel Júnior
Francisco Cuoco em sua última aparição na Televisão (Foto: Reprodução/Globo/Daniela Toviansky)

Ainda nos palcos, Cuoco iniciou na televisão, no “Grande Teatro Tupi”, que exibia peças de teatro adaptadas para a TV. Sua primeira novela foi “Marcados pelo Amor”, em 1964 na TV Record. Seguida de “Redenção”, em 1966 na Excelsior. Além de “Legião dos Esquecidos” em 1968, formando um dos primeiros pares românticos com a atriz Regina Duarte. Francisco estreou na Rede Globo em 1970, na novela “Assim na Terra como no Céu”.

Sua consagração veio com os papéis escritos especialmente para ele por Janete Clair, a grande dama da teledramaturgia. Com um sucesso após o outro, atuando em papéis como do ambicioso Cristiano Vilhena de “Selva de Pedra” em 1972, foi um dos primeiros. Logo após, interpretou o jornalista Alex, em "O Semideus" (1973), e o aviador garanhão Mário Barroso em "Cuca Legal" (1975), trama de Marcos Rey com direção de Oswaldo Loureiro, Cuoco foi convidado para fazer o carismático taxista Carlão, em "Pecado Capital" (1975), de Janete Clair.

Ao longo da carreira, o dramaturgo somou dezenas de papéis marcantes. Entre o fim dos anos 90 e o início dos anos 2000, ele se dedicou ao cinema, participando de filmes como “Traição” em 1998, “Gêmeas” de 1999, “Um Anjo Trapalhão” nos anos 2000, “A Partilha” em 2001 e “Cafundó” em 2005, onde reforçou sua versatilidade diante das câmeras.

Depois de mais de 20 anos de dedicação, quase que exclusiva, na televisão e cinema, Francisco Cuoco retornou ao teatro, na peça “Três Homens Baixos”, dividindo o palco com Gracindo Jr. E Chico Tenreiro. Seu último trabalho na televisão foi em 2023, com uma participação na série “No Corre”, exibida pelo canal Multishow, mostrando que sua presença seguia relevante e querida pelo público.


Francisco Cuoco, com toda a certeza marcou a vida de muitos brasileiros com suas personagens inesquecíveis, que emocionaram e inspiraram milhões de espectadores. O ator deixa um legado inestimável para a cultura brasileira. Sua partida encerra um ciclo, mas sua arte permanece viva na memória de todos que acompanharam sua trajetória.

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