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Manoela do Cartório, uma tabeliã de coração nobre e sensível a dor alheia

Em 1º de janeiro de 2012, Três Lagoas se despedida da tabeliã Manoela Hernandez Martin, na época com 84 anos

Danielle Brito - Hojemais Três Lagoas
02/05/20 às 19h20

Há oito anos, em 1º de janeiro de 2012, Três Lagoas se despedida da tabeliã Manoela Hernandez Martin, na época com 84 anos.

Manoela do Cartório como ficou conhecida na cidade, faleceu às 7 horas no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora de uma parada cardíaca.

Sempre a frente do seu tempo, Manoela ainda jovem, substitui a irmã Ruth Máximo Filgueiras, então professora da 4ª série, no Jomap (Escola Estadual João Magiano Pinto). Nesta época, ela foi convidada a continuar lecionando no colégio.

Além do Jomap, a carioca que chegou a Três Lagoas no início de 1943, também ensinou a disciplina de Matemática no Colégio 2 de Julho, atualmente Escola Estadual Afonso Pena, e no Dom Aquino Corrêa.

Tempos mais tarde, Manoela foi chamada para substituir Gentil Rodrigues Montalvão e em 31 de janeiro de 1955, assumiu o cargo interinamente e nove meses depois, foi efetivada como tabeliã do Cartório do 3º Ofício.

Com vários títulos e cursos, exerceu várias atividades entre elas, a reformulação do Sistema Penitenciário de sua terra natal. Manoela chegou a ser vice-prefeita na gestão do ex-prefeito Antônio João Campos de Carvalho entre 1986 e 1988.

Ela também era pecuarista e tinha formação em Técnico em Contabilidade, Matemática e Língua Portuguesa.

A irmã de Jesus Hernandez Martin (In memorian), sempre gozou de grandes amizades e desde menina sempre demonstrou compaixão ao sofrimento alheio.

Manoela durante o período que permaneceu à frente do Cartório do 3º Ofício, sempre atendeu aqueles que a procuravam com uma palavra de conforto e carinho.

O Cartório do 3º Ofício se tornou modelo e referência pelos trabalhos realizados por Manoela Hernandez.

Para a neta de Manoela, Lair Aurélia Marques, a avó contribuiu muito para a história de Três Lagoas e deixou um legado incontestável.

“Minha avó era uma mulher muito à frente do seu tempo, ela tinha uma sabedoria invejável. Aprendi muito com ela a ter paciência e otimismo. Nunca vi minha querida avó mover um cílio por preocupação com qualquer obstáculo que surgisse pela frente”, disse Lair

Segundo Lair, Manoela sempre dizia para ela ter calma, pois tudo na vida se resolveria.

“Ela era muito positiva, amante da vida, fez tudo que tinha vontade, contrariando as regras tão rígidas impostas às mulheres daquela época. O meu entusiasmo, tenho certeza que foi herdado dela. Minha avó, não temia o que os outros iriam dizer a seu respeito, ela enfrentava todos e fazia”, falou a neta de Manoela.

Lair lembra que a saudosa avó, sempre viveu intensamente e aproveitou muito bem cada segundo da vida.

“Me sinto, como neta, uma pessoa privilegiada, pois me embebi de seu vasto conhecimento e me contagiei com sua alegria de viver, quem conviveu com ela sabe o que estou dizendo. Por trás daquela cara brava, havia um coração gigante que ajudou todos quanto pode. Sorte de quem pode conviver com a Manoela do Cartório. Agora só restam as boas lembranças e os ensinamentos deixados por ela”, concluiu a neta.

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