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Morre Arlindo Cruz, o sambista que transformou poesia em música, aos 66 anos

Artista, que lutava contra sequelas de um AVC desde 2017, deixa um legado que atravessa gerações no samba.

Andressa de Paula - Hojemais Três Lagoas
08/08/25 às 14h27
Foto: Reprodução/Bruno Poletti/Folhapress

Arlindo Cruz, um dos maiores nomes do samba brasileiro, morreu nesta sexta-feira (08), aos 66 anos, no Rio de Janeiro/RJ. O cantor e compositor estava internado na Casa de Saúde São José, tratando de uma pneumonia, quando não resistiu. A informação foi confirmada pela família.

Desde 2017, quando sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico, Arlindo convivia com sequelas que o afastaram dos palcos, mas não apagaram o brilho de sua obra. Ao longo dos últimos anos, enfrentou internações recorrentes, complicações respiratórias e passou a depender de cuidados constantes, sempre cercado pelo carinho da esposa, Babi Cruz, e dos filhos, Arlindinho e Flora.

Nascido em 14 de setembro de 1958, no Rio de Janeiro, Arlindo Domingos da Cruz Filho ganhou seu primeiro cavaquinho aos 7 anos e, pouco tempo depois, já tirava músicas “de ouvido”. O samba correu em suas veias desde cedo, lapidado nas rodas do Cacique de Ramos, onde se aproximou de nomes como Jorge Aragão, Almir Guineto, Beth Carvalho e Zeca Pagodinho.

Compositor de mais de 550 sambas gravados, Arlindo fez história no grupo Fundo de Quintal e, posteriormente, consolidou uma bem-sucedida carreira solo. Sucessos como Meu Lugar , O Bem , O Show Tem Que Continuar e Será Que É Amor tornaram-se hinos e retratos de um Brasil que se reconhece na batida do tantã e na poesia de suas letras.

Além dos discos e shows, Arlindo também marcou presença nos carnavais, compondo sambas-enredo para escolas como Império Serrano, Grande Rio, Unidos de Vila Isabel e Leão de Nova Iguaçu. Em 2023, foi enredo do Império Serrano, coroando uma trajetória de amor e devoção à cultura popular.

Mesmo longe dos palcos nos últimos anos, Arlindo permaneceu como referência e inspiração para músicos e amantes do samba. Sua trajetória é marcada pela alegria, generosidade e pela capacidade de transformar experiências do cotidiano em música atemporal.

O Brasil se despede de um artista que não apenas cantou o samba, mas viveu para ele. Como diz um de seus versos mais conhecidos, “o show tem que continuar”, e continuará no compasso eterno que Arlindo Cruz deixou como herança para o coração de cada brasileiro.

 

Com informações de g1.

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