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O impacto das políticas públicas na proteção às mulheres

Audiência Pública discutirá proteção às mulheres vítimas de violência doméstica.

Guta Rufino - Hojemais Três Lagoas
08/03/25 às 13h00

Na próxima segunda-feira (10), uma audiência pública com o objetivo de debater a crescente violência contra a mulher e as estratégias para enfrentamento do feminicídio será realizada na Câmara Municipal de Três Lagoas. O evento faz parte do cronograma de ações realizadas ao longo do mês em que se celebra o “Dia Internacional da Mulher”. A propositura da audiência foi feita pelas vereadoras: Evalda Reis, Professora Maria Diogo e Sirlene dos Santos.

Laura Achiles, especialista em direitos das mulheres e defensora das vítimas de violência doméstica, é uma referência no tema em Três Lagoas. Em uma entrevista exclusiva, a advogada compartilhou suas opiniões sobre as causas do aumento de feminicídios e como a legislação e as autoridades podem contribuir para a melhoria da proteção às mulheres.

"São diversas as causas para o aumento do feminicídio, principalmente em um contexto de transformação das relações de gênero. À medida que as mulheres ganham mais autonomia, seja financeira ou emocional, o risco de violência se intensifica, especialmente quando há a ruptura do relacionamento", afirmou Laura.

Ela destacou que as mulheres que antes toleravam por mais tempo relações abusivas, hoje, com maior acesso à informação e maior independência, estão rompendo esses ciclos. "Este cenário de mudança acaba expondo as mulheres a mais riscos, principalmente quando há tentativa de controle sobre elas por parte dos agressores", explicou.

LEGISLAÇÃO

Laura também analisou a legislação brasileira, especialmente a Lei Maria da Penha, considerada uma das mais avançadas no combate à violência doméstica no mundo. Para a advogada, embora a lei ofereça importantes mecanismos de proteção, ela sozinha não é suficiente para resolver o problema. "É fundamental a criação de redes de apoio, com integração entre os órgãos responsáveis. Há uma grande falha na criação de políticas públicas que efetivamente funcionem", comentou, ressaltando a necessidade de mais investimentos, como grupos de reabilitação para agressores, que têm mostrado bons resultados na redução de reincidência.

O PAPEL DAS AUTORIDADES

Laura também abordou o papel das autoridades no enfrentamento à violência de gênero. "A capacitação dos profissionais, especialmente dentro do sistema judiciário, é essencial para uma resposta eficaz. A introdução de protocolos que considerem a perspectiva de gênero nas decisões judiciais, como o que foi implementado pela desembargadora Jaceguara Dantas, é um exemplo de boas práticas", afirmou.

A advogada também fez uma reflexão sobre o papel da sociedade e da mídia. "A conscientização é fundamental. Muitas violências, como a psicológica, são difíceis de identificar, e a sociedade precisa ser educada sobre os sinais de abuso e como agir. A mídia tem papel crucial em não apenas noticiar os casos, mas também em educar a população", disse.

URGÊNCIA

Em relação às medidas imediatas que as mulheres podem tomar para se proteger, Laura orienta que a vítima deve, em primeiro lugar, procurar ajuda de alguém de confiança e buscar abrigo seguro. "É essencial que as vítimas procurem a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher para garantir a medida protetiva. Em casos de convivência ou casamento com o agressor, buscar orientação jurídica é fundamental", explicou.

Ela enfatizou a importância de não manter contato com o agressor e sempre buscar centros de referência que ofereçam apoio psicológico e social. "Em casos de descumprimento da medida protetiva, a denúncia imediata é crucial para a segurança da vítima", completou.

PREVENÇÃO

Durante sua palestra na audiência pública, Laura pretende discutir a raiz do problema dos feminicídios e a importância da educação na prevenção de violências. "A sociedade precisa refletir sobre como as meninas e meninos são educados desde cedo em relação aos papeis de gênero. Mudanças nos comportamentos e no pensamento sobre a mulher são urgentes", afirmou. Ela acredita que a educação deve ser parte de uma estratégia para mudar a mentalidade, especialmente em relação aos agressores, que muitas vezes não reconhecem seu comportamento abusivo.

DISCUSSÃO ABERTA

Laura destacou que a audiência pública em Três Lagoas será uma oportunidade importante para discutir essas questões com a comunidade local. "Acredito que a discussão aberta e a conscientização coletiva são passos fundamentais para combater o feminicídio. O poder público deve adotar medidas que envolvam a educação de meninas e meninos, bem como a reeducação de agressores para que eles reconheçam seus erros e busquem mudar", concluiu.

A audiência pública é uma excelente oportunidade para ouvir especialistas, autoridades e a sociedade sobre um tema tão relevante. Todos estão convidados para este evento de suma importância, que visa ampliar o entendimento sobre a violência doméstica e buscar soluções práticas para a proteção das mulheres em Três Lagoas.

A audiência será realizada às 19h, no Plenário da Câmara Municipal de Três Lagoas, localizado na Rua Sunao Miura, 71, Santos Dumont. A audiência contará com a participação de diversas autoridades e especialistas no tema.

Projetos aprovados na Assembleia Legislativa de MS

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) aprovou três projetos voltados ao apoio imediato às mulheres vítimas de violência doméstica. O Projeto de Lei 36/2025 amplia o acesso ao “Programa Cuidar de Quem Cuida”, permitindo a acumulação de benefícios como o BPC e cestas de alimentos. Já o Projeto 37/2025 institui o Programa Recomeços, oferecendo um benefício de até seis meses, com possibilidade de prorrogação, para mulheres em situação de vulnerabilidade social. O Projeto 38/2025 propõe apoio financeiro para mulheres que são responsáveis por famílias monoparentais e enfrentam dificuldades econômicas. Essas iniciativas representam um avanço significativo na proteção das mulheres em situação de violência no estado.

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