Maio trouxe a Três Lagoas uma brisa que, de suave, pouco tem. Soprou forte, trazendo consigo uma onda de acontecimentos que têm sacudido a rotina da cidade e, de certa forma, assustado seus moradores. Acidentes de trânsito com desfechos trágicos, a violência doméstica que insiste em se esconder nas paredes de lares que deveriam ser refúgio, roubos que desafiam a sensação de segurança – tudo isso tem sido o enredo constante nas rádios, nos sites de notícias, nas redes sociais, que reverberam cada detalhe com uma intensidade que beira o sufoco.
É como se a bruxa estivesse mesmo solta, e a gente, imerso nas próprias lutas diárias – o trabalho que exige, a família que inspira cuidado, as contas que não fecham –, se vê obrigado a lidar com essa avalanche de informações negativas. A impressão que fica, muitas vezes, é que o mundo virou de cabeça para baixo e que, em Três Lagoas, só o que acontece é o ruim. A gente sabe que não é verdade, que a vida é feita de dualidades, de luz e sombra, de dias bons e outros nem tanto. Mas, quando a sombra é tão escancarada, tão constante, é fácil se deixar levar pelo desespero.
E é aí que mora o perigo. No afã de informar, ou de simplesmente reproduzir o que se vê, a mídia e, principalmente, as redes sociais, têm um poder imenso de moldar a percepção. Para quem já está fragilizado, para aqueles que se agarram à fé ou que buscam forças em meio às adversidades, essa enxurrada de tragédias pode ser um gatilho para a desesperança. Vemos religiosos se apegando ainda mais às suas crenças, e outros, já exaustos de lutar, sucumbindo a um sentimento de impotência.
É preciso, mais do que nunca, um olhar atento e um coração resiliente. Não se trata de ignorar a realidade, de fechar os olhos para os problemas que afligem Três Lagoas. Muito pelo contrário. É fundamental que se discuta, que se cobre, que se busque soluções para a criminalidade, para a imprudência no trânsito, para a violência em todas as suas formas. Mas é igualmente crucial a forma como consumimos e compartilhamos essas informações.
A conscientização passa por entender que, embora a vida seja um emaranhado de desafios, ela também é repleta de momentos de superação, de solidariedade, de resiliência. As notícias de tragédia nos alertam, nos impulsionam a agir, a nos proteger, a cobrar das autoridades. Mas elas não podem ser a única lente pela qual enxergamos a nossa cidade.
Que o vento de maio, por mais que traga consigo notícias difíceis, não nos tire a capacidade de ver além, de reconhecer a força que nos une, a beleza dos gestos de carinho e a esperança que brota a cada novo amanhecer. Três Lagoas é muito mais que seus problemas; é a garra de seu povo, a sua história e a sua capacidade de se reinventar. Que essa percepção nos guie e nos impulse a construir um futuro mais seguro e, acima de tudo, mais sereno.
Guta Rufino, Jornalista, Hojemais Três Lagoas
