Adotado pela família do Laudelino Barbosa, o policial militar, morto em 2013 - Otacílio Pereira de Oliveira - foi deixado no “Lar das Crianças” pela mãe biológica que não tinha condições de criá-lo, junto com outras duas irmãs.
Otacílio trabalhou por muitos anos na antiga Padaria Três Lagoas, em frente ao Comercial.
Depois serviu o exército, ingressou na Polícia Militar aonde chegou a comandar um pelotão em Chapadão do Sul e também em Paraíso das Águas.
Trabalhou por muitos anos na Polícia Ambiental antes de morrer, como moto- taxista.
Otacílio ingressou na Polícia Militar em 1980 e se aposentou em 2005. Pai de cinco filhos - três mulheres e dois homens - e avô de três netos, o policial morreu em 2013, na porta de sua casa, após ataque de uma facção criminosa.
Ao todo, 17 pessoas foram condenadas por participação direta e indireta no assassinato do policial militar da reserva. As penas, somadas, ultrapassam 254 anos de prisão.
Clério Felix de Oliveira - o filho mais velho de Otacílio - conta que o pai era uma pessoa muito solidária já que, por várias vezes, presenciou ele ajudando outras pessoas que não tinham dinheiro e estavam na rodoviária aguardando para seguirem viagem para suas cidades.
Segundo o filho, o policial era corintiano fanático e não perdia um jogo do clube do coração; era uma pessoa otimista, pois realizava sempre suas apostas na mega-sena. “Meu pai não perdia um jogo do Corinthians e adorava jogar na mega” - relembra.
FAMÍLIA
Uma das lembranças que Clério e todos os irmãos têm do pai, segundo o filho, era o amor que o policial tinha pela família.
“Humilde, carismático e atencioso com a família – assim era o nosso pai. Nós éramos muito grudados com o pai. Fomos criados dentro do batalhão; ele nos deixou uma grande lição. Ele dizia que deveríamos ser honestos e procurar sempre trilhar os caminhos certos” - destaca.
REENCONTRO
Conta Clério que o pai, antes de falecer, realizou o sonho de conhecer a mãe - que morava em Pereira Barreto - SP e que também faleceu pouco tempo depois; também conheceu as irmãs - que residem em Andradina.
Segundo revela, por anos o pai procurava pela família biológica quando, um dia, ouviu um comunicado de uma rádio que havia chegado uma carta endereçada a ele, que dizia que sua mãe o procurava.
HOMENAGEM
Foi homenageado na manhã da última terça-feira, dia 24, na formatura da 24ª Turma do curso de cabos da Polícia Militar, Otacílio Pereira de Oliveira (In Memoriam).
O evento aconteceu no complexo poliesportivo Eduardo Milanez e, dez novos cabos foram formados pela corporação.
Entre os presentes, a família do saudoso policial militar. O filho Clério Felix de Oliveira, de 36 anos, contou ao Hojemais a história do pai e também sobre a emoção da homenagem.
“Quando recebi o convite do 2º Batalhão de Polícia Militar fiquei emocionado; aliás, todos da família se sentiram emocionados. Foi muito gratificante ver meu pai ser homenageado. No momento da formatura, passou um filme pela minha cabeça. Vendo todos em forma - eu procurava, a todo o momento pelo meu pai” - revela emocionado.
Segundo o sargento da PM - Luiz Eduardo dos Santos - o policial era uma pessoa muito querida e que amava sua família.
“Tiramos serviço juntos, no presídio. O amigo Otacílio era do tipo de pessoa que aonde chegava contagiava com sua alegria e humildade. Nunca o vi alterar a voz com ninguém. Ele estava sempre sorrindo e nunca reclamava da vida. Mesmo sendo policial não gostava de andar armado. Tinha bom relacionamento na cidade e era muito querido por todos” - destaca.
O sargento relembra que o cabo Otacílio também tirou serviço no fórum de Três Lagoas e no posto da rodoviária, aonde fez muitas amizades com mototaxistas - profissão que seguiu depois de se aposentar.