Três Lagoas experimentou recentemente o abrupto fechamento da unidade da fábrica da Pepsico (Mabel) que durante vinte anos esteve ativa na cidade empregando mais de trezentas pessoas.
Apesar de tudo ter sido tão rápido e sem muitas explicações, restou-nos apenas deduzir quais foram as razões para que uma empresa de grande porte decidisse, supostamente, de inopino, deixar de funcionar uma de suas filiais, diga-se, uma das maiores.
Muito se fala que as razões pelas quais as empresas têm deixado nosso estado transita pela profunda crise financeira que muitas vêm atravessando, pela pesada carga tributária aplicada pelos governos, pelo alto custo de fabricação e pelo fim dos incentivos fiscais.
Tudo isso tem sentido. É incólume de dúvidas que o Brasil vem enfrentando sucessivas crises econômicas e políticas, as quais parecem não ter fim. A corrupção corrói todo o sistema governamental e desmotiva qualquer empreendedor a investir seu tempo e dinheiro em qualquer projeto.
A injusta carga tributária também assusta os investidores que não querem ampliar suas frentes e até mesmo reduzem sua estrutura, fazendo o que chamamos de desinvestimento, como é o caso do início deste artigo.
O alto custo de fabricação no País é um sério desafio que deve ser enfrentado se quisermos destravar a roda da economia, pois, sem entrar no mérito de direitos trabalhistas e outros, é muito mais interessante trazer produtos prontos e acabados de outros países do que fabrica-los no Brasil, ou seja: ao invés de termos em nosso solo fábricas com muitos empregados, fica mais fácil e barato trazer produtos em contêineres sem empregar um cidadão sequer.
Outro ponto a ser registrado é a inaceitável ineficiência da máquina pública. Burocratas a serviço de uma burocracia sem fim. As empresas enfrentam um périplo para se instalar por aqui, as dificuldades vão desde a concessão de um simples alvará até a obtenção de uma licença ambiental. É um verdadeiro parto!
Finalmente, sobre o encerramento da concessão dos incentivos fiscais pelo governo estadual, há que se dizer que estes foram concedidos, por primeiro, nos idos de 1998, os quais foram renovados por mais dez anos. Encerrados esses dois ciclos, creio que a Pepsico, analisando os prós e contras de se permanecer no estado, certamente concluiu pelo encerramento de suas atividades nestas plagas.
E o que é pior? Essa tendência deverá se seguir com relação às demais empresas. Simples assim. As empresas, sobretudo as maiores, são controladas por números, nada mais.
Não existem mais em Três Lagoas os empresários “das antigas” que sem qualquer incentivo, terreno ou isenção levavam seu negócio “no peito”.
Muitos questionam, julgam e até mesmo praguejam essas decisões, mas, sejamos sinceros: o leitor acha mesmo que as grandes empresas são apaixonas pelo clima, pelo povo e pela cidade? Claro que não! Há que se ter incentivos para se ter empregos e prosperidade na nossa pequena e pobre economia, caso contrário somente os grandes centros avançarão.
*Rógerson Rímoli. Advogado do Escritório Cotrim & Rímoli Advogados.