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Professora é proibida de entrar na Secretaria de Educação

O caso aconteceu em Natal, professora alega ter sofrido machismo

Redação - Hojemais Três Lagoas
17/11/21 às 15h18

Uma professora da rede municipal de ensino de Natal teve a entrada barrada na Secretaria Municipal de Educação com o argumento de que estava vestida com "uma roupa inadequada". A proibição partiu do chefe de patrimônio da SME e de um segurança. A professora classificou a situação como um caso "típico de machismo".
 

"Em pleno século 21 é inadmissível que uma mulher seja julgada pela roupa que está usando. Principalmente porque o meu vestido não é inadequado. Fica claro que é mais um caso de machismo", disse a professora Tânia Maruska Petersen ao g1.
 
O caso aconteceu na última quinta-feira (11) e foi denunciado pela educadora. Ela trabalha na Escola Municipal Zuleide Fernandes, onde é conselheira escolar. Ao g1, Tânia contou que esteve no local para resolver questões relativas ao trabalho e assinar documentos.

Ela disse que se sentiu intimidada, constrangida e humilhada.
 

"Meu vestido não era curto pra ser taxado de inadequado. Fiquei muito triste, envergonhada, foi uma situação vexatória. Eu sou uma excelente profissional. Eu estudo, invisto no meu trabalho, chego cedo, cumpro minhas atividades, e vou ser julgada pela roupa que eu uso?", questionou.

O que dizem sindicato e governo
 
Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sinte/RN) classificou o caso como "absurdo, inaceitável e lamentável. O Sindicato se solidariza com a professora e se compromete a lutar contra o machismo onde quer que ele esteja".
A SME também se manifestou e informou que está apurando os fatos para tomar as devidas providências (leia a nota completa mais abaixo).
"A SME-Natal lamenta o episódio e esclarece, que na ocasião a professora foi atendida na sequência em sua demanda pela diretora do Departamento de Administração Geral. A SME reafirma o respeito às professoras e professores, como também a qualquer cidadã ou cidadão que procura atendimento".
 

Machismo
 
Para a professora Tânia, o constrangimento que ela passou é "retrato de uma sociedade patriarcal, machista e misógina".
Ela ressaltou ainda que decidiu denunciar o caso para dar voz a outras mulheres.
"A gente denuncia, mas fica com receio de que venha alguma represália. Mas eu não poderia me calar, preciso dar voz a outras mulheres porque o feminismo ainda é tratado como 'mimimi', como tolice, por muita gente. Tratam como uma pauta supérflua e não é".
 

"A violência é imposta todos os dias às mulheres, seja física, seja psicológica, quando temos nossos corpos sexualizados, objetificados. Eu não quero que outras mulheres passem por isso".

(*) G1.COM


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