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Saúde mental X segunda onda da pandemia de Covid-19

Completou um ano de pandemia, muitos de nós sentimos que nos restou muito pouco dos bons elementos de nossas vidas. Que diferença enorme um ano faz e quanto mais o tempo passa maior fica o questionamento: O que vem a seguir?

Thais Dias  - Hojemais Três Lagoas
05/04/21 às 13h08
Psicóloga Janaina Catolino fala um pouco sobre saúde mental (Foto: arquivo Hojemais)

Morre o senador, o porteiro, um familiar, o vizinho… não há vagas nos hospitais, vacinas estão demorando e o dinheiro cada dia fica mais curto. Logo no início da pandemia de Covid-19, os especialistas temiam uma explosão de novos diagnósticos de transtornos psiquiátricos, em especial de depressão e ansiedade.

Nesta semana completa-se um ano de pandemia, muitos de nós sentimos que nos restou muito pouco dos bons elementos de nossas vidas. Que diferença enorme um ano faz e quanto mais o tempo passa maior fica o questionamento: O que vem a seguir?

Estamos vivendo um cenário nunca visto antes, em que lidamos com um inimigo oculto, que não segue padrões e com isso muitos amigos e conhecidos estão partindo e nos comovemos até mesmo com quem não conhecemos. Vivemos na era digital, a informação está a todo tempo ao nosso alcance, querendo ou não. Não precisamos mais ligar a televisão para ver o jornal ou pesquisar em um site específico, as notícias aparecem mesmo quando não queremos. 

Diante disso, o mais recomendado para manter a saúde mental é tirar apenas uma parte do dia para se informar. Saia de grupos e páginas que o foco principal sejam apenas assuntos trágicos, procure ver filmes, séries e livros que despertem sentimentos de esperança e empatia, ocupe sua mente com lembranças e notícias positivas, aprenda novas habilidades, faça cursos que sempre quis fazer. Nem todo dia conseguiremos manter o foco e está tudo bem. 

Quando sentir vontade de chorar, chore. Se sentir medo, converse com alguém que confia. Acolha todos os sentimentos ruins, mas não permita que eles façam morada. É um momento que precisamos nos cuidar antes de tudo, mas também é momento de resiliência, nós precisamos aprender novas formas de viver e se reinventar quase que diariamente. 

Deixar de acompanhar as notícias não significa que estamos desrespeitando ou desprezando a situação, mas para sobrevivermos também precisamos tomar algumas atitudes pelo bem da nossa própria saúde mental, explica a psicóloga Janaina Catolino. 

Janaina lançou um canal no Youtube onde posta vídeos para que os internautas possam ter acesso a dicas da psicóloga, ela nos conta de onde veio a inspiração, “O profissional da psicologia precisa ter a preocupação e a responsabilidade de informar as pessoas quanto a questões emocionais e mentais. Infelizmente nem todas as pessoas têm acesso a terapia e por incrível que pareça, ainda vivemos em uma época em que existe muito tabu e muita desinformação acerca da saúde mental. Então nada melhor que um profissional da área para desmistificar essas questões. A ignorância se combate através do conhecimento e todo conhecimento deve ser transmitido.

A maior dificuldade das pessoas em ficarem isoladas é justamente a dificuldade em olharem para si mesmas e perceberem coisas que uma vida corrida consegue mascarar. Olhar para si é doloroso, nem todos estão preparados para lidar com suas sombras. E esse momento de isolamento nos obriga a justamente isso, olhar, reavaliar e repensar praticamente uma vida inteira. 

 

Existem muitas maneiras de amenizar esse sentimento de solidão e tristeza: fazer chamadas de vídeo ou ligações para os familiares e amigos, dar atenção ao bichinho de estimação ou adotar um com responsabilidade, escrever o que está sentindo, dar mais atenção as pessoas que moram na mesma casa. A distância é apenas física e temporária”, contou a psicóloga.

Se manter um pouco ‘offline” dos noticiários pode ajudar, segundo Janaina “Nós já sabemos o que precisamos saber sobre a doença: formas de contágio, sintomas, consequências e letalidade. Não é o momento de sobrecarregar a mente com informações que muitas vezes nem são reais. É inevitável não ter acesso a essas informações, mas no que for possível, se mantenha distante de tudo o que é prejudicial a sua saúde mental, se for preciso, fique um tempo longe das redes sociais, faça um Detox virtual”.

E para aquele que infelizmente perdeu alguém para a pandemia, ou está com alguém no hospital em tratamento a psicóloga tem uma dica, “Infelizmente não temos o controle de tudo e ter consciência disso torna as coisas um pouco mais leve. Nos casos de falecimento, o luto precisa ser vivido, a pessoa precisa ter contato com essa dor da perda para que a vida possa seguir em frente. Então chorem, se revoltem, gritem, fiquem tristes, se permitam sentir todos esses sentimentos não é momento para parecer forte, se permitam ser vulneráveis e aceitem que a finitude é nossa única certeza, por mais que pareça injusta ou imatura”, concluiu Janaina. 

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