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Três-lagoense vira morador de rua após morte trágica da filha de 14 anos

Elisângela morreu em um acidente na Olinto Mancini

Hojemais de Três Lagoas - Bruna Taiski
26/03/18 às 15h09
‘Zé’ conta detalhes do acidente que deixou rastro de dor e saudade (Albecyr Pedro)

Na última semana a reportagem do Hojemais publicou a imagem de um morador de rua conhecido como José Eduardo da Silveira, 63 anos, sendo cuidado por um de seus cachorros. A matéria viralizou e tomou conhecimento de amigos de ‘Zé’ que contaram a triste história por trás do homem que cuida e é cuidado pelos animais.

Zé foi morar nas ruas após a morte da filha Elisângela Pereira da Silveira, em um domingo do dia 24 de abril de 1997. A menina, na época com 14 anos, andava pela Olinto Mancini com a bicicleta que havia acabado de ganhar do pai em seu aniversário, quando foi surpreendida por um carro que atravessou o canteiro central e a atropelou.

O motorista estava embriagado, segundo relatos de Zé, o condutor não estava habilitado e ficou somente 48 horas preso, respondendo em liberdade em seguida.

“O condutor do veículo não era habilitado, ele era de Ilha Solteira. O veículo não estava nem no nome dele, então eu fui para justiça 'aqui se faz aqui se paga'. Ele ficou preso até umas 48 horas. E é o que eu digo, se está bêbado não dirige”, afirma.

“O último momento que tive com ela foi em um sábado, ela foi na casa minha irmã e disse ‘pai eu vou voltar amanhã’ e eu falei para ela vir pelo JK ou pela avenida Olinto Mancini, que era menos perigoso e o carro atropelou”, recorda.

No momento do acidente, os vizinhos identificaram Elisângela e foram avisar na casa de Zé que ela havia sido atropelada.  “Eu pensei que não era nada grave, mas ela morreu na hora.  Eu tinha 42 anos na época. Para mim a notícia foi amarga. Minha esposa não morava conosco, era só eu e minha filha”, diz.

Elisângela foi sua única filha, ele também perdeu a esposa dez anos depois. “Não foi bom morar nas ruas e nem é, na época eu fiquei muito abalado, é a única filha que para mim tenho até hoje, também perdi minha esposa dez anos depois. Tudo ficou muito difícil”, conta.

A ‘moreninha bonita’ descrita pelo pai, estudava na quarta série no Colégio Maria Eulália, era manicure, pedicure e cabelereira. Ele conta que o sonho dela era ter o próprio salão de beleza e fez a promessa que o realizaria assim que ela completasse o segundo grau do colégio. “Minha moreninha já batalhava muito. Eu prometi para ela ‘Fia, até o segundo grau o pai te dá o salão’ ‘O pai vai escrachar a vida para te dar’”, recorda.

Zé não era muito de falar, mas não poupou palavras ao começar a dizer sobre Elisângela, ele emociona ao descrever as pequenas alegrias do cotidiano com a filha querida.

 “A Elisângela era muito amorosa, minha moreninha bonita. Eu nunca quis decepcioná-la como pai, não tinha vício nenhum, eu não bebia álcool e nem fumava”, diz.

“Ela era alegre, sentava e cantava junto comigo. Porque eu componho e canto música também. Ela gostava muito de cantar, toco violão ainda. Eu sinto muita saudade. Hoje eu não sinto vontade com a vida, dentro do coração ela não morre, mas lá de cima Deus consola”, finaliza.

Colaborou Albecyr Pedro.

Ajuda

Entramos em contato com a Prefeitura Municipal de Três Lagoas, a mesma informou que o próprio José nega atendimento. “A  Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), informa que uma equipe da Abordagem Social do Centro de Acolhimento para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP),  foi até o local e acompanha o caso de perto. O que ocorre é, após várias tentativas de abordagem ao cidadão em questão ele negou qualquer atendimento, sendo assim, respeitando o livre arbítrio inerente de todo brasileiro. Obtendo êxito, a equipe se mantém a monitorando o caso e tem buscado a família do morador para apontar a problemática e tentar achar uma solução viável para a pessoa em situação de rua e os familiares”, diz a Assessoria de Comunicação em nota. 

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