Uma operação conjunta da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou na apreensão de aproximadamente 21 toneladas de acetato de etila , substância química utilizada no processo de refino da cocaína. A ação ocorreu na madrugada desta segunda-feira (22), na Base Operacional da Ponte, em Porto Morrinho, distrito localizado a cerca de 70 quilômetros de Corumbá, em Mato Grosso do Sul.
A apreensão foi realizada por volta das 5h, após um trabalho de inteligência identificar possíveis irregularidades no transporte da carga, que tinha como destino a Bolívia.
Participaram da fiscalização equipes da Receita Federal de São Paulo e Corumbá, agentes da PRF, integrantes do Exército Brasileiro e informações compartilhadas pelo Garras (Grupo Armado de Resgate e Repressão a Assaltos e Sequestros) .
Durante a abordagem, os fiscais constataram divergências entre o material transportado e as informações descritas na nota fiscal apresentada. Diante da inconsistência, a carga foi retida e encaminhada juntamente com o motorista e a carreta para a Polícia Federal (PF) , responsável pela continuidade das investigações.
Conhecido pelas autoridades como um “solvente nobre”, o acetato de etila é utilizado por organizações criminosas na transformação da pasta base em cloridrato de cocaína , forma refinada da droga destinada ao consumo. Segundo estimativas dos órgãos de fiscalização, a quantidade e a concentração do material apreendido poderiam ser suficientes para a produção de cerca de 40 toneladas de cocaína refinada .
O controle de precursores químicos nas regiões de fronteira é considerado uma das principais estratégias de combate ao narcotráfico , já que esses insumos são fundamentais para a fabricação de drogas sintéticas e derivados da cocaína. O objetivo é interromper a cadeia criminosa antes que a droga seja produzida e distribuída.
Operação internacional
A apreensão ocorreu apenas um dia após outra grande ação de combate ao tráfico internacional de drogas. No domingo, a Receita Federal realizou a Operação Timber Shield (Escudo de Madeira) , desenvolvida em parceria com autoridades do Brasil, Estados Unidos e Bolívia.
Durante a operação, oito caminhões carregados com madeira foram interceptados sob suspeita de ocultar cocaína. Quatro veículos foram retidos em Corumbá (MS), transportando aproximadamente 130 toneladas de madeira, enquanto outros quatro foram abordados em Cáceres (MT), também com cerca de 130 toneladas.
Ao todo, aproximadamente 260 toneladas de madeira seguem sob fiscalização das autoridades brasileiras. A ação contou com a participação das aduanas dos três países e da FELCN (Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico) , da Bolívia.
De acordo com a Receita Federal, o esquema utilizava técnicas de camuflagem para esconder a droga na estrutura da madeira, dificultando sua identificação durante as inspeções. Método semelhante já havia sido identificado recentemente por autoridades chilenas em uma carga proveniente da Bolívia.
Informações compartilhadas pelos Estados Unidos apontam que as apreensões realizadas no Chile e no Brasil podem estar ligadas à mesma organização criminosa e ter origem em um mesmo centro de produção de cocaína na Bolívia.
As análises preliminares realizadas nas cargas retidas no Brasil apresentaram resultado positivo para cocaína. Com base em apreensões anteriores utilizando o mesmo método, a estimativa é de que entre 10% e 20% do peso total da carga possa corresponder a substâncias ilícitas.
Caso a suspeita seja confirmada pela perícia criminal da Polícia Federal, o volume apreendido poderá representar entre 20 e 50 toneladas de cocaína . A PF ficará responsável pelas investigações, pelos exames periciais e pela custódia dos materiais apreendidos.
As cargas permanecem sob controle das autoridades brasileiras, seguindo todos os protocolos de cadeia de custódia. A Aduana Nacional da Bolívia acompanha os procedimentos por meio dos mecanismos de cooperação internacional.
Além da Receita Federal e da Polícia Federal, a ofensiva reúne o Exército Brasileiro, o Gefron (Grupo Especial de Fronteira) de Mato Grosso e as polícias técnico-científicas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As investigações continuam e novas informações deverão ser divulgadas após a conclusão das análises técnicas.
