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"Tribunal do Crime" executou mecânico em Três Lagoas- diz delegado do SIG

Delegado Ailton Pereira conta detalhes da Operação "Hidra de Lerna", que prendeu envolvidos na execução de Alisson de Souza dos Santos, de 23 anos, no início do ano

Hojemais de Três Lagoas - Albecyr Pedro (Colaboração Aurora Villalba)
12/05/18 às 07h00
Delegado do SIG, Ailton Pereira primeiro da esquerda; ao lado Delegado Regional Rogerio Makert e Major Ênio comandante da PM de Três Lagoas (Albecyr Pedro)

TRÊS LAGOAS-  A Operação “Hidra de Lerna” (monstro da mitologia grega) prendeu em ação conjunta com a Polícia Militar, na manhã desta quinta-feira, 11, os envolvidos na execução do mecânico de motos, Alisson de Souza dos Santos, de 23 anos, e que teve o corpo encontrado na tarde de 1º de março deste ano, às margens da BR-158 em Três Lagoas.

Ao todo, foram cumpridos na operação; mandados de busca, e de prisão contra, Rogério Costa Sales, Diego dos Santos (Japa), Rosilene dos Santos Silva, Michel Alves Martins, Fernanda Honório Barcelos, Vilmar Afonso dos Santos, Anderson Carlos dos Santos, Jeferson Torres Silveiras, Lucas de Souza, Elisângela de Souza Silva, Luciana Natalina da Silva, e Lucia Natalina da Silva. 

Três mulheres e dois homens procurados pelos policiais são considerados foragidos.

De acordo com o delegado do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil- Ailton Pereira, em entrevista ao Hojemais, o mecânico foi sequestrado por criminosos em frente a sua casa, na frente da mulher, dia 26 de fevereiro deste ano, e submetido a uma espécie de “tribunal do crime”. 

Segundo a linha de investigação comandada pelo delegado, Alisson teria tido um relacionamento amoroso com uma garota de 11 anos de idade, quando então os familiares descobriram e, ao invés de registrar um boletim de ocorrência, procuraram membros da facção criminosa (PCC) para executá-lo.

“Não procuram os caminhos legais da justiça, e agiram com as próprias mãos. Agora todos serão responsabilizados pelo crime. A mãe da jovem pediu aos criminosos, “a cabeça da vítima”. Todos agora, responderão por homicídio qualificado, e também por organização criminosa” - destaca o delegado.

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(Divulgação)
Diversas pessoas foram presas na operação (Divulgação)

INVESTIGAÇÃO E OUTRO TRIBUNAL DO CRIME

Conforme explica o delegado, a partir do momento que encontrou o corpo do mecânico, o SIG passou a investigar e, descobriu os detalhes da motivação do crime considerado bárbaro, inclusive os nomes de quem determinou a sua morte. 

Segundo ele, o principal mandante seria um presidiário chamado Jefferson Torres Silveira, de 35 anos, conhecido como “Drink”, condenado a 16 anos de prisão e que cumpre a pena na Penitenciária Estadual de Dourados. 

Outros envolvidos segundo o delegado são detentos do Presídio de Segurança Média de Três Lagoas, e de Segurança Máxima de Campo Grande.

Familiares da menina de 11 anos que Alisson havia se relacionado; mãe, tia e uma prima da menina, que procurou os membros do PCC para cometer a execução, também foram presas na operação.

“Foi expedido à prisão preventiva com busca domiciliar e também em presídios citados. Todos vão responder pelo barbado crime”- reforça Ailton Pereira, que revelou ainda a existência de outro grupo criminoso, chefiado também por Jefferson e que teria torturado e executado outras duas pessoas no “tribunal do crime”.

“Os criminosos querem agir no lugar do Estado. Quem tem o poder de aplicar sanções, é somente o Estado, e eles acham que podem fazer justiça com as próprias mãos. O serviço de inteligência das polícias, além de denúncias anônimas, foi juntado, conseguimos fechar o quebra-cabeça e prendê-los”- pontua.

SIGILO

Para o delegado Ailton Pereira, é de suma importância qualquer informação, principalmente anônima. 

“Não temos interesse em saber quem está nos passando às denúncias. O principal objetivo é desvendar os crimes e prender os infratores. Não temos a intenção de divulgar quem ajuda a polícia. Todas as denúncias são mantidas no mais absoluto sigilo- destaca.

Telefones para denúncias ao SIG: (67) 3521-4984 ou (67) 3929- 1173

OPERAÇÃO

 “Hidra de Lerna” que leva o nome da operação era um monstro que tinha várias cabeças na mitologia grega. Ailton Pereira explica que no início da operação tinha um indivíduo na ponta da linha criminosa, ou seja, a “cabeça” que dava a ordem para matar. 

“Esta “cabeça” foi decepada. Surgiu outra mente criminosa, ou seja, outra “cabeça” neste mostro e nós também conseguimos dar fim”- finaliza.

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