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Da pecuária à potência global: como a Chamflora mudou o destino de Três Lagoas

A base florestal implantada pela Chamflora transformou-se em um ativo estratégico valioso

Danielle Brito - Hojemais Três Lagoas
15/06/26 às 07h20
( Reprodução)

Muito antes de se consolidar como a chamada “Capital Mundial da Celulose”, Três Lagoas tinha sua economia sustentada quase exclusivamente pela pecuária. Reconhecida nacionalmente como a “capital do gado”, a cidade viu seu destino começar a mudar a partir de uma iniciativa silenciosa, porém estratégica, ainda na década de 1980.

Foi nesse período que a Chamflora, então denominada Chamflora Três Lagoas Agroflorestal e subsidiária da gigante norte-americana Champion Papel e Celulose, iniciou estudos técnicos e realizou os primeiros plantios experimentais de eucalipto na região. À época, o projeto parecia apenas mais uma alternativa econômica, mas acabou se tornando o ponto de partida de uma transformação estrutural.

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Ao longo dos anos 1990, a empresa ampliou de forma significativa as áreas de cultivo, promovendo uma mudança gradual na paisagem rural do município. O avanço da silvicultura passou a dividir espaço com a pecuária, redesenhando não apenas o território, mas também o potencial produtivo local. No entanto, dificuldades financeiras enfrentadas pela companhia acabaram interrompendo o ritmo de expansão, levando à paralisação das atividades de plantio.

Mesmo diante da crise, o legado deixado não se perdeu. A base florestal implantada pela Chamflora transformou-se em um ativo estratégico valioso. Com a aquisição pela International Paper, já nos anos 2000, o cenário ganhou novo impulso. As florestas de eucalipto existentes passaram a atrair o interesse de grandes investidores do setor de celulose.

Esse movimento abriu caminho para a chegada de gigantes da indústria, como a VCP e a própria International Paper, consolidando um novo ciclo econômico. A partir de então, Três Lagoas deixou de ser apenas uma cidade do interior com tradição pecuária para se posicionar no cenário global como referência na produção de celulose.

Décadas depois, o impacto daquela iniciativa pioneira é evidente. A Chamflora não apenas introduziu o cultivo de eucalipto na região, como lançou as bases de um dos maiores polos industriais do mundo no setor. Uma transformação que redefiniu a identidade econômica do município e projetou Três Lagoas para além das fronteiras nacionais.

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A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.

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