A história da indústria de celulose e papel no Brasil revela um dos mais bem-sucedidos projetos de política industrial do país. No início da década de 1970, o cenário ainda era modesto: a produção nacional de celulose pouco ultrapassava 1 milhão de toneladas por ano, enquanto o papel somava cerca de 1,2 milhão de toneladas anuais. As importações, embora reduzidas, ainda eram necessárias para suprir parte da demanda interna.
Foi nesse contexto que o governo federal decidiu transformar um desafio em oportunidade. Desde 1966, o país já incentivava o plantio de florestas por meio do Programa de Incentivos Fiscais ao Reflorestamento (PIFR). No entanto, era necessário criar uma demanda consistente para a madeira que começava a surgir em larga escala.
A resposta veio em 1974, com a criação do Programa Nacional de Papel e Celulose (PNPC), inserido no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND). A estratégia era clara: estruturar um setor industrial capaz de absorver a matéria-prima disponível, reduzir a dependência externa e, ao mesmo tempo, posicionar o Brasil como exportador competitivo.
Com apoio financeiro do então BNDE (hoje BNDES) e a participação de empresas nacionais e estrangeiras, o segmento passou por uma transformação acelerada. Países como Suécia, Japão e Estados Unidos contribuíram com tecnologia e investimentos, impulsionando a modernização da cadeia produtiva.
Os objetivos eram ambiciosos. Além da autossuficiência, o Brasil buscava gerar um excedente significativo para exportação, com a meta de alcançar, até o final do século XX, cerca de 20 milhões de toneladas anuais de produção.
Ao longo das décadas seguintes, contudo, os caminhos da celulose e do papel seguiram trajetórias distintas. A celulose despontou como um caso de sucesso global, enquanto o papel apresentou expansão mais moderada, voltada principalmente ao mercado interno.
No ano 2000, a produção brasileira de papel atingiu 7 milhões de toneladas, com destaque para o uso de fibras recicladas em embalagens, papéis sanitários e de impressão. Já em 2022, esse volume chegou a 11 milhões de toneladas, sendo 2,5 milhões destinadas ao mercado externo.
