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Do incentivo ao protagonismo global: como o Brasil se tornou potência na produção de celulose

As importações, embora reduzidas, ainda eram necessárias para suprir parte da demanda interna.

Danielle Brito - Hojemais Três Lagoas
15/06/26 às 06h16
Reprodução/ Suzano

A história da indústria de celulose e papel no Brasil revela um dos mais bem-sucedidos projetos de política industrial do país. No início da década de 1970, o cenário ainda era modesto: a produção nacional de celulose pouco ultrapassava 1 milhão de toneladas por ano, enquanto o papel somava cerca de 1,2 milhão de toneladas anuais. As importações, embora reduzidas, ainda eram necessárias para suprir parte da demanda interna.

Foi nesse contexto que o governo federal decidiu transformar um desafio em oportunidade. Desde 1966, o país já incentivava o plantio de florestas por meio do Programa de Incentivos Fiscais ao Reflorestamento (PIFR). No entanto, era necessário criar uma demanda consistente para a madeira que começava a surgir em larga escala.

A resposta veio em 1974, com a criação do Programa Nacional de Papel e Celulose (PNPC), inserido no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND). A estratégia era clara: estruturar um setor industrial capaz de absorver a matéria-prima disponível, reduzir a dependência externa e, ao mesmo tempo, posicionar o Brasil como exportador competitivo.

Com apoio financeiro do então BNDE (hoje BNDES) e a participação de empresas nacionais e estrangeiras, o segmento passou por uma transformação acelerada. Países como Suécia, Japão e Estados Unidos contribuíram com tecnologia e investimentos, impulsionando a modernização da cadeia produtiva.

Os objetivos eram ambiciosos. Além da autossuficiência, o Brasil buscava gerar um excedente significativo para exportação, com a meta de alcançar, até o final do século XX, cerca de 20 milhões de toneladas anuais de produção.

Ao longo das décadas seguintes, contudo, os caminhos da celulose e do papel seguiram trajetórias distintas. A celulose despontou como um caso de sucesso global, enquanto o papel apresentou expansão mais moderada, voltada principalmente ao mercado interno.

No ano 2000, a produção brasileira de papel atingiu 7 milhões de toneladas, com destaque para o uso de fibras recicladas em embalagens, papéis sanitários e de impressão. Já em 2022, esse volume chegou a 11 milhões de toneladas, sendo 2,5 milhões destinadas ao mercado externo.

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Reprodução/Suzano

A celulose, por sua vez, avançou em ritmo mais intenso. Em 2022, o Brasil já ocupava a posição de segundo maior produtor mundial, com cerca de 25 milhões de toneladas fabricadas. Esse desempenho resulta de uma combinação de fatores, como condições climáticas favoráveis, elevada produtividade das florestas de eucalipto e ganhos de escala industrial.

As diferenças entre os dois segmentos são explicadas por aspectos como logística, carga tributária, regulamentações, dimensão de mercado e variações cambiais — fatores que impactam diretamente a competitividade e o potencial de expansão.

Mesmo sem atingir integralmente a meta original do programa, o balanço após cinco décadas é amplamente positivo. O Brasil não apenas conquistou autonomia, como se consolidou como protagonista no mercado internacional de celulose.

As perspectivas para os próximos anos reforçam esse protagonismo. A expectativa é que a produção nacional de celulose ultrapasse, no curto prazo, a marca de 30 milhões de toneladas anuais, mantendo o eucalipto como principal fonte de matéria-prima.

Já no segmento de papel, o crescimento deve ser impulsionado especialmente pelos papéis sanitários, alavancados pelo aumento do consumo interno e pela ampliação das exportações. Em contrapartida, os papéis de impressão enfrentam um cenário menos favorável, refletindo mudanças nos hábitos de consumo e avanços tecnológicos.

Assim, a trajetória da celulose e do papel no Brasil evidencia como planejamento estratégico, incentivo estatal e investimento privado podem transformar um setor emergente em referência global, com impactos diretos na economia, nas exportações e no desenvolvimento regional.

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A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.

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