Uma nova mobilização de trabalhadores movimenta Inocência (MS) , município que concentra atualmente uma das maiores obras industriais em execução no país.
Funcionários de empresas terceirizadas que atuam na construção do Projeto Sucuriú, da Arauco , iniciaram uma paralisação em meio às negociações envolvendo salários, benefícios e condições de trabalho .
A movimentação ocorre justamente no período da data-base da categoria e amplia a pressão sobre as negociações entre representantes dos trabalhadores e empresas responsáveis por diferentes frentes da construção do empreendimento.
Entre os pontos que aparecem relacionados à mobilização estão as discussões sobre reajuste salarial e benefícios . Questões envolvendo alimentação e condições oferecidas aos trabalhadores também fazem parte de um histórico de reivindicações apresentado pela categoria ao longo da implantação do projeto.
Alimentação já esteve entre as reivindicações
A discussão não começou agora. Durante as negociações realizadas em 2025, milhares de trabalhadores participaram de assembleia e apresentaram uma pauta com 16 reivindicações.
Entre os pontos discutidos estavam reajuste salarial, melhoria da alimentação, plano de saúde e transporte .
Naquele momento, as negociações resultaram em reajuste salarial de 6,19%, aumento do vale-alimentação de R$ 700 para R$ 900, além de bônus e outras condições negociadas para os trabalhadores.
O histórico ajuda a explicar por que temas relacionados à estrutura oferecida aos funcionários continuam recebendo atenção em um empreendimento que reúne milhares de pessoas vindas de diferentes regiões do país.
Segurança e condições de trabalho entram no debate
Relatos relacionados à segurança e às condições de trabalho também circulam entre trabalhadores e nas redes sociais durante a atual mobilização. Até o momento, porém, esses pontos precisam ser tratados como reivindicações e relatos da categoria enquanto não houver detalhamento oficial da pauta negociada nesta paralisação.
O tema ganha dimensão especialmente pelo tamanho da operação existente atualmente em Inocência. A implantação da fábrica transformou a rotina do município e provocou rápido crescimento da população temporária, aumentando também a demanda por alojamentos, alimentação, transporte, saúde e segurança.
O Projeto Sucuriú já ultrapassou 70% de execução e representa investimento de aproximadamente US$ 4,6 bilhões . A futura fábrica terá capacidade para produzir cerca de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano .
Paralisações já ocorreram durante as obras
Esta não é a primeira mobilização envolvendo trabalhadores ligados à implantação da fábrica.
Em junho de 2025, aproximadamente 250 trabalhadores de uma empresa contratada interromperam atividades durante a construção de alojamentos e apresentaram reivindicações relacionadas às condições contratuais.
Já em fevereiro de 2026, uma nova paralisação terminou após negociação envolvendo questões como pagamento de horas extras e auxílios relacionados às folgas de campo .
Agora, com uma nova rodada de negociação salarial, a mobilização volta a chamar atenção para a relação entre o avanço acelerado das obras e as condições oferecidas aos milhares de profissionais envolvidos na construção.
Negociação será decisiva
A expectativa está concentrada nas tratativas entre o Sintiespav-MS , entidade que representa trabalhadores da construção pesada envolvidos no empreendimento, e as empresas responsáveis pelas diferentes frentes de serviço.
A definição sobre salários, benefícios, alimentação e demais condições reivindicadas será determinante para o andamento da mobilização.
O Portais Vale Celulose e o Hojemais acompanham as negociações e mantém espaço aberto para manifestação das empresas envolvidas, das entidades representativas dos trabalhadores e da Arauco sobre a paralisação e as reivindicações apresentadas.
