Em 2016, o Brasil se viu livre do sarampo, mas a baixa adesão à vacina fez com que o vírus voltasse a circular e consequentemente a Fundação das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) tiverem que emitir um alerta mundial sobre o aumento da circulação do sarampo, uma doença que não tem cura e pode matar.
Por ser transmitida pelo ar, o vírus é de alta e fácil transmissão e no ano de 2018 em decorrência do fluxo migratório pela região norte do país, constatou-se a entrada da doença em território nacional mais uma vez, fazendo com que o Brasil perdesse o selo de eliminação do sarampo.
Hoje, mesmo com as campanhas de vacinação, o contágio já se encontra em grandes metrópoles que possuem fácil acesso à vacina. O cenário é alarmante e desde a reiteração da doença no país, somam-se mais de 40 mil casos da doença e 40 mortes.
Segundo a equipe do Hospital Cassems de Três Lagoas, a única forma de brecar o vírus e o contágio é por meio da vacinação, que está em uso há mais de 50 anos, sendo segura, eficaz e acessível.
“Mesmo havendo uma vacina segura e eficaz, a doença continua sendo uma das principais causas de morte entre crianças pequenas no mundo todo. Nos pequenos e nos jovens adultos o sarampo tende a ser mais grave, isso porque faixa etária possui um sistema imune menos desenvolvido ou porque é o primeiro contato com o vírus” – explicaram os médicos da Cassems.
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Por que os pais não estão vacinando seus filhos?
Para a equipe do Hospital Cassems de Três Lagoas, a pandemia afastou uma grande parcela da população dos postos de saúde. Entretanto, a Covid-19 não é o único fator agravante, tendo em vista que uma pesquisa feita pelo Unicef entre 2019/2020 antes da pandemia, já mostrava um cenário preocupante, considerando a falta de percepção da gravidade dessa doença.
“Como ficamos muito tempo sem o contato com o vírus, justamente por conta da vacina, existe uma falsa sensação de segurança, ou seja, a falta de divulgação sobre a doença faz com as pessoas pensem que os cuidados e a prevenção não são mais necessários"
A pesquisa mostrou também um medo dos efeitos colaterais. No entanto, de acordo com os especialistas todo imunizante aprovado e utilizado pode apresentar efeitos adversos raríssimos. Com base nos estudos, não se vacinar continua sendo mais perigoso do que efeitos colaterais.
Quais são as reações da vacina contra sarampo?
De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunização, menos de 0,1% dos vacinados apresentam ardência, vermelhidão, dor e formação de nódulo no local.
Entre 5% e 12% podem apresentar quadro febril alto, e geralmente isso ocorre após 5 ou 12 dias da vacinação. 4% dos vacinados podem ter dor de cabeça, irritabilidade, lacrimejamento e vermelhidão dos olhos.
O quadro mais grave é a inflamação do cérebro (encefalite), que aparece em 1 a cada 2,5 milhões de vacinados. Por outro lado, como visto anteriormente tivemos 40 mil casos e 40 mortes desde a reintrodução do sarampo.
“No Brasil, a campanha de vacinação se encerrou no dia 24 de junho, no entanto, isso não é justificativa para negligenciar a vacina. Sendo assim, mesmo fora da campanha os pais devem levar as crianças para tomar a vacina, que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola. Destaca-se que a primeira dose ocorre quando a criança tem 12 meses e a segunda entre 15 e 24 meses de idade”
Crianças e adultos que não foram vacinados, também devem tomar as duas doses e aqueles que não se recordam se tomaram ou não, devem se imunizar em um intervalo de um e dois meses entre a primeira e a segunda dose.
Entre os idosos, a imunização requer avaliação médica para identificar a necessidade da vacinação.
Complicações e tratamento do sarampo
Cerca de 30% dos casos, apresentam quadros como diarréia, otite média, pneumonia, encefalite (inflamação no cérebro) e panencefalite esclerosante subaguda (doença do sistema nervoso central). E sim, o sarampo pode levar a morte ou então causar sequelas graves e irreversíveis.
“A descrição reconhecível do sarampo é milenar, entretanto ainda não se tem um tratamento específico para o vírus, o que se tem são medicamentos indicados com o intuito de amenizar o desconforto decorrente dos sintomas e algumas das complicações. Sendo assim, o melhor tratamento é preventivo e deve ser feito com vacinação” – finalizaram.
OBS: No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina que protege contra o sarampo é a tríplice viral, que também previne contra a caxumba e a rubéola.