Ano após ano, o uso dos contraceptivos na saúde feminina são expostos como pautas para novos estudos no ramo da medicina, e em diversos casos a utilização já foi apontada como fator para o desenvolvimento de doenças, é o caso da relação entre os anticoncepcionais e o câncer de mama, assunto que foi abordado em 2018 em uma pesquisa publicada no The New England Journal of Medicine, indicando que as mulheres que tomam pílulas hormonais ou que usam DIU há anos, experimentam um aumento pequeno do risco de câncer de mama em comparação com as que não fazem o uso.
Mas afinal, essa afirmação é verídica ou não? – Para falar sobre o assunto, o Portal Hojemais conversou com a equipe do Instituto do Câncer Brasil de Três Lagoas. Confira!
Segundo os médicos do
ICTL,
essa pesquisa foi realizada com 1,8 milhão de mulheres da Dinamarca, com faixa etária entre 15 e 49 anos, que não tinham tido câncer, tromboembolismo (quando um coágulo se forma na na circulação sanguínea) ou feito tratamento para infertilidade. Essas pacientes receberam acompanhamento por cerca de 10 anos e foram identificados 11.517 casos de câncer de mama. Houve um caso a mais de câncer do que o esperado para cada 7.690 usuárias de anticoncepcionais hormonais.
Quando os dados foram comparados com os de mulheres que nunca usaram anticoncepcionais, o risco relativo de ter câncer de mama foi 20% superior em relação às não usuárias.
O estudo apontou também que o risco de desenvolvimento pode estar atrelado ao tempo de uso, pois com 1 ano de utilização, as chances de acometimento se mostraram superiores a 9% e 38% superior a partir de 10 anos de uso. Isto quer dizer que, por exemplo, se a chance de ter câncer de mama até os 50 anos é de 2%, para quem usou o medicamento por um ano o risco foi de 2,2%, e para quem usou por mais de 10 anos o risco foi de 2,76%.
“Apesar das informações, NÃO é necessário pânico entre a população feminina, tendo em vista que o surgimento do câncer de mama está atrelado a uma série de outros fatores. Sendo assim, não é preciso interromper o uso dos anticoncepcionais. O ideal na verdade, é que as mulheres discutam com seus médicos os riscos e os benefícios desta decisão” – explicaram.
Ainda de acordo com os profissionais, o próprio texto do estudo constata que o risco absoluto é muito pequeno. Além disso, como citado anteriormente a pesquisa não foi associada a outros fatores que podem desencadear o câncer de mama, como a falta de atividade física, consumo de álcool e peso, aspectos esses que podem ser bem mais relevantes do que o uso dos anticoncepcionais.
“O que queremos dizer, é que o câncer de mama não tem uma causa única, sendo assim, somente o uso do anticoncepcional NÃO deve ser visto como um risco para saúde da mulher. Com isso, é preciso avaliar fatores endócrinos/história reprodutiva, fatores comportamentais/ambientais e fatores genéticos/hereditários” – acrescentaram.
Mamografia como aliada na prevenção do câncer de mama
O diagnóstico precoce do câncer de mama só é possível por meio de uma biópsia indicada a partir do resultado de uma mamografia preventiva ou ultrassom das mamas.
Com isso, o Instituto do Câncer Brasil de Três Lagoas atrelado a Sociedade Brasileira de Mastologia, indica a prática do exame a partir dos 40 anos, que é a idade em que a curva de incidência da doença começa a aumentar entre as mulheres.
“A prática do exame de forma orientada pode ser decisiva para detecção precoce do câncer de mama, e consequentemente as chances de sucesso no tratamento tornam-se muito maiores” – finalizou a equipe.
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