De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que para cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados 16.590 novos casos de câncer de colo do útero no Brasil, sendo considerado o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres e responsável por 311 mil óbitos por ano.
Apesar da alta incidência, é importante ressaltar que no radar da saúde, a vacina contra o câncer de colo de útero já está entre nós, isso porque um novo estudo aponta que a imunização contra o HPV reduz em quase 90% o risco de desenvolvimento do tumor.
Segundo a equipe do Hospital Cassems de Três Lagoas, a eficácia da vacina contra o HPV é algo cientificamente comprovado há muito tempo, entretanto, os estudos acerca do tema não param, e recentemente uma nova pesquisa conduzida na Inglaterra constatou que meninas imunizadas entre 12 e 18 anos experimentam uma redução de 87% no risco de desenvolver câncer de colo de útero mais tardiamente.
A conclusão foi feita por meio da análise do programa de vacinação no país a partir de 2006 e as taxas atuais da enfermidade. Enquanto a imunização contra o HPV avança na Europa ano após ano, o Brasil ainda pena para alcançar bons resultados, isso porque calcula-se que ao redor de 40% das garotas de 9 a 14 anos, que recebem a vacina gratuitamente pelo SUS, estejam com a imunização em dia.
“É importante destacar que a imunização na rede pública, atinge também os meninos de 11 a 14 anos, tendo em vista que as duas doses previnem ainda outros tumores, dentre garganta, boca, pênis e ânus” – afirma a equipe do Hospital Cassems.
O HPV e a ação das vacinas
Ainda de acordo com a equipe, é importante destacar que papilomavírus humano (HPV) em si, não é o causador do câncer, no entanto, ele é um oncovírus, com capacidade de interferir no processo de produção de células anormais, favorecendo assim um câncer.
“Existem diversos tipos de HPV, e no início as vacinas visavam a prevenção de cepas que podem ocasionar doenças mais graves, bem como o tipo 16 e 18, principais causadores do câncer de colo de útero. Entretanto, hoje com o desenvolvimento das vacinas é possível ainda evitar ainda outras cepas” – acrescentaram.
“Outro ponto importante, a imunização visa a prevenção de infecções causadas pelo HPV, ou seja, ela não trata doenças já existentes, por isso a importância da vacinação antes mesmo do início da vida sexual. Entretanto, isso não impede uma pessoa de tomar a vacina quando já adulta” – finalizaram.