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Maria Fernanda: quando ensinar é uma forma de transformar vidas

Entre a sala de aula, o consultório e a pesquisa científica, a cirurgiã-dentista e professora da AEMS faz da Odontologia um legado construído com conhecimento, amor e propósito.

Edgard Júnior - Agitta Social
13/07/26 às 14h33
Fotografia: Edgard Júnior

Há profissionais que exercem uma profissão. Outros vivem uma verdadeira missão. A história da cirurgiã-dentista e professora Maria Fernanda Martins-Ortiz Posso é daquelas que inspiram justamente porque vai muito além dos títulos acadêmicos, da carreira consolidada ou dos reconhecimentos conquistados ao longo de quase três décadas dedicadas à Odontologia.

Esposa, mãe da Maria Heloísa, madrasta da Júlia, de 21 anos, pesquisadora, professora e clínica, ela faz questão de afirmar que tudo o que construiu só faz sentido porque existe um propósito maior: compartilhar conhecimento e contribuir para que outras pessoas também transformem suas próprias histórias.

"Minha vida precisa ser sobre legado, sobre direcionamento, sobre um norte a quem se propuser a melhorar a si mesmo", resume a professora, que hoje integra o corpo docente do curso de Odontologia da AEMS.

  Essa missão, no entanto, começou muito antes da universidade.

  Nascida em uma família onde a educação sempre foi um valor inegociável, Maria Fernanda cresceu cercada por professores. A mãe, a avó e outros familiares despertaram nela a paixão pela docência. Mas foi o avô, o professor Décio Rodrigues Martins, um dos pioneiros da Ortodontia brasileira, quem deixou a marca mais profunda em sua trajetória profissional.

Enquanto muitas crianças brincavam com massinha de modelar, ela passava horas entre modelos de gesso, cera e materiais odontológicos nos corredores da Faculdade de Odontologia de Bauru. "A Odontologia corre no meu sangue mais que qualquer outro traço de identidade", recorda.

A formação acadêmica seguiu o mesmo caminho da excelência. Graduou-se em Odontologia, concluiu mestrado em Ortodontia, doutorado em Patologia Bucal, publicou dezenas de artigos científicos, capítulos de livros e tornou-se referência em pesquisas sobre movimentação dentária e reabsorções radiculares. Sua produção científica ultrapassa gerações e segue sendo utilizada como base para diversos estudos no Brasil e no exterior.

  Em 2011, a vida lhe apresentou um novo capítulo.

  Ao lado do marido, o professor Sérgio Roberto Posso, mudou-se para Três Lagoas. A cidade que inicialmente seria apenas um novo endereço rapidamente tornou-se um lugar de pertencimento.

Foi aqui que Maria Fernanda encontrou outra forma de devolver à sociedade tudo aquilo que recebeu durante sua formação. Além do consultório, abraçou projetos voluntários, levando palestras de prevenção ao câncer bucal para diversas cidades de Mato Grosso do Sul, produzindo materiais educativos distribuídos gratuitamente e aproximando a população do conhecimento científico de forma acessível.

Hoje, como professora da AEMS, ela afirma que um dos maiores privilégios da carreira é perceber o brilho no olhar de um estudante quando um novo conhecimento faz sentido.

"Ver um aluno compreender algo novo talvez seja a maior recompensa da docência" , afirma.

Não por acaso, foi escolhida como paraninfa da turma de Odontologia de 2025, reconhecimento que considera um dos momentos mais emocionantes de sua caminhada profissional.

Mas a rotina está longe de ser simples.

Conciliar a vida acadêmica, a clínica, a pesquisa e a família exigem equilíbrio diário. Ainda assim, ela acredita que todas essas experiências se complementam.

"A clínica alimenta a sala de aula e vice-versa. Cada caso complexo vira aprendizado para os alunos, e cada pergunta deles me faz voltar para o consultório ainda mais preparada".

Esse ciclo permanente entre ensinar e aprender é justamente o combustível que mantém viva sua paixão pela profissão.

Em 2025, recebeu um dos maiores reconhecimentos de sua carreira ao tornar-se a primeira mulher de Mato Grosso do Sul a ingressar na Academia Brasileira de Odontologia, honraria considerada uma das mais importantes da área.

Para ela, mais do que um título, trata-se de uma responsabilidade. "É uma missão em servir a Odontologia acima de si mesmo".

Uma filosofia que também explica seu envolvimento com o “ Julho Laranja , campanha nacional de conscientização sobre a importância da avaliação ortodôntica precoce em crianças. Neste ano, a campanha ganhou ainda mais força ao tornar-se oficialmente Lei Federal.

Maria Fernanda reforça que a primeira avaliação ortodôntica deve acontecer por volta dos sete anos — ou até antes, quando nasce o primeiro dente permanente — permitindo identificar alterações ainda no início do desenvolvimento facial e dentário.

 

Ela também chama atenção para outro aspecto muitas vezes negligenciado: o impacto emocional das alterações bucais na infância.

"Não é apenas uma questão estética. É saúde, autoestima e qualidade de vida".

Segundo a professora, um diagnóstico precoce pode evitar tratamentos mais invasivos no futuro e contribuir diretamente para o desenvolvimento físico e emocional da criança.

Ao longo da entrevista, Maria Fernanda demonstra que o verdadeiro sucesso profissional não está apenas nas conquistas individuais, mas na capacidade de inspirar outras pessoas.

Sua mensagem final traduz exatamente essa filosofia.

Inspirando-se em um poema que costuma compartilhar com seus alunos, ela lembra que cada pessoa, consciente ou não, deixa marcas por onde passa. "Há sempre alguém seguindo seus passos".

E talvez seja justamente essa a definição mais bonita para sua trajetória. Uma professora que ensina ciência, mas também humanidade. Uma pesquisadora que acredita na educação como instrumento de transformação. Uma dentista que cuida de sorrisos, mas, acima de tudo, ajuda a construir futuros. Porque, como ela mesma resume: "Cuidados precoces, sorrisos para toda a vida" não é apenas o slogan do “Julho Laranja”. É uma verdadeira filosofia saúde vida.

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