Uma mulher de 40 anos foi vítima de um estelionato e procurou a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Três Lagoas na tarde desta quarta-feira (2) para registrar o caso.
Ela contou à polícia que por volta de 9h20, da última sexta-feira (25) recebeu uma ligação telefônica em seu celular, de alguém que se dizia do serviço de prevenção à fraudes de um banco, se identificando como funcionário da agência, e alegando para a vítima, que sua conta conjunta com o marido havia sofrido uma fraude.
O SUPOSTO FUNCIONÁRIO DO BANCO
Na ocasião, conforme o registro policial, o suposto funcionário disse a vítima por questões de segurança, todos os dados pessoais dela, além dos dados da conta, inclusive o endereço residencial, exatamente como consta no registro junto ao banco.
Segundo a mulher, o suspeito usou até a música de fundo da central de atendimento da agência, a qual ela estava acostumada a ouvir em ligações.
O suspeito acrescentou que o contato se dava, porque havia identificado um acesso suspeito que teria ocorrido a partir de um aparelho de celular, que não era cadastrado pelo aplicativo do banco, portanto estaria sendo feito por um aparelho com numeral e nome diferentes daqueles dos titulares verdadeiros da conta dela conjunta com o marido.
Neste momento, o suposto funcionário continou, alegando que estava checando se havia tentativa de fraude, e informou que o acesso indevido teria sido feito por outra pessoa, motivo pelo qual perguntou se a vítima o conhecia, oportunidade em que ela respondeu de forma negativa.
Momento em que também informou, que a conta conjunta da vítima, havia sofrido tentativa de fraude, e que só não havia sido concretizada pelo fato de que o saldo seria menor do que o valor da transferência e pagamento de boleto tentados. Explicação do suposto funcionário, para tentar convencer a vítima, que não teria havido transações fraudulentas.
CONTA JURÍDICA
Em continuidade aos fatos, os suposto funcionário, afirmou que o procedimento de segurança consistiria em bloquear o aplicativo do banco, para também evitar acesso à conta bancária da pessoa jurídica, empresa da qual a vítima é empregada e exerce funções relativas ao movimento financeiro e seu controle, conta também da agência bancária.
DESCONFIANÇA
A vítima estranhou o interesse do suspeito de obter acesso à conta da empresa, já que a conta da pessoa jurídica, só pode ser movimentada pelo sócio administrador, porém permaneceu em silêncio, enquanto o suposto funcionário a orientou a entrar no aplicativo do banco para bloquear as contas e se colocou à disposição para acompanhar e auxiliar com o procedimento, consta no boletim de ocorrência.
Em dúvida e preocupada, a vítima ainda contou à polícia, que terminou a ligação com o suspeito e ligou pelo seu telefone celular para a gerente da sua conta junto ao banco, quando explicou o ocorrido, e teve como resposta, que o procedimento não era normal da agência e que portanto, poderia ser um golpe, já que recentemente outro cliente havia sido vítima de crime parecido.
A vítima informou à gerente que havia estranhado como o suspeito tinha acesso a todos os seus dados e do seu marido, bem como das duas contas do Banco Sicredi.
Indagada pela gerente se havia passado alguma informação ao suspeito, a vítima conforme o registro policiail respondeu que não passou nenhum dos dados, nem as senhas de sua conta.
Outra vez questionada pela gerente, se havia digitado algo a pedido do suspeito, também respondeu de forma negativo. Momento em que a gerente informou que providenciaria o bloqueio das duas contas bancárias.
VÁRIOS EMPRÉSTIMOS
Ao acessar a conta conjunta, a fim de fazer o bloqueio, a gerente do banco, constatou que dois empréstimos haviam sido feitos em nome da conta conjunta da vítima e do marido, na manhã de sexta-feira (25). Sendo um no valor de R$ 14,9 mil e outro de R$ 35 mil, onde a instituição financeira executou a liberação indevida para a conta no valor de R$ 49,9 mil.
Consta ainda no boletim de ocorrência, que em seguida, na mesma manhã, os estelionatários conseguiram subtrair um total de R$ 52,5 mil da conta corrente da vítima, mediante três transferências indevidas realizadas pela agência, destinadas a outra conta em nome de L.E. conforme o número do CPF repassado a polícia, desconhecido das vítimas.
A primeira subtração correu no valor de R$ 18 mil. Já a segunda transferência no valor R$ 12 mil e a terceira no valor de R$ 22,5 mil, tudo conforme consta do extrato da conta.
PREJUÍZOS
Neste momento, a vítima pediu à gerente para tentar bloquear as transferências ou tentar recuperar os valores subtraídos com urgência, e teve como resposta que seria difícil e que já havia solicitado apoio de outras áreas do banco.
Os valores subtraídos indevidamente da conta conjunta das vítimas totalizaram R$ 52,5 mil, destinados à outra conta, além do lançamento indevido da cobrança total de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de R$ 954,24 para a conta bancária das vítimas.
Também constituídos pelos valores de R$ 821,24 e de R$ 133 o que aumentaria o prejuízo para mais R$ 3.554,24, caso se efetive a cobrança indevida em virtude do furto mediante fraude apontado.
CONTA JURÍDICA SOB SUSPEITA
Em resposta a vítima sobre a conta jurídica, conjunta entre ela e o marido, a agência bancária informou que os estelionatários não conseguiram acesso, pois o movimento financeiro é muito maior do que o movimento financeiro da conta corrente de pessoa física.
Segundo a gerente do banco, significa que os autores não conseguiram alcançar o objetivo de subtrair outros valores da pessoa jurídica da vítima.
CONTA BLOQUEADA
A gerente ainda voltou a questionar a vítima, se ela havia passado senha ou dados ao suspeito, e tornou a repetir que não. De qualquer modo, segundo a gerente, a conta foi bloqueada, sem conseguir evitar a subtração de R$ 52.5 mil. A vítima ainda foi orientada a ligar ao telefone 0800 do banco, afim de fazer um chamado sobre o ocorrido.
Os números do telefone da vítima, junto à operadora também foi bloqueada. Em virtude das medidas de segurança tomadas quanto ao aparelho, não foi possível manter a identificação da origem da ligação telefônica feita pelo suspeito, informou ainda a gerente da agência.
Enquanto a vítima mantinha contato com a gerente, ela recebeu ligações de um número de origem desconhecida, as quais não atendeu, pois suspeitou que seria o mesmo suspeito homem que estava tentando ligar, e continuar o ato criminoso.
