Opinião

Tradição ignorada: enquanto a região investe em rodeios, Andradina deixa a Expoan no passado

Enquanto cidades menores fazem mais com menos, Andradina faz menos com muito mais.

Por Flávia Avelar Gomes
02/04/26 às 16h22
Reprodução Redes Sociais - Governo de Andradina
Reprodução Redes Sociais - Governo de Andradina

Em meio ao calendário festivo do interior, chama a atenção — e causa indignação — o silêncio de Andradina diante de uma de suas maiores tradições: a Expoan. Enquanto cidades vizinhas, com orçamentos significativamente menores, seguem valorizando suas raízes culturais e movimentando suas economias locais, a chamada “Terra do Rei do Gado” parece assistir passivamente ao enfraquecimento de sua própria identidade.

Em Murutinga do Sul, com uma previsão orçamentária de R$ 36.550.000,00 — cerca de 10,7% do orçamento de Andradina, que é de R$ 341.570.000,00 — a tradicional Festa do Peão chega à sua 30ª edição com atrações como Diego & Arnaldo, Mariana Fagundes e Thauane, além de outras que ainda serão anunciadas. Um investimento que demonstra planejamento, valorização cultural e respeito à tradição.

Já Nova Independência, com orçamento estimado em R$ 62 milhões — aproximadamente 18,1% do orçamento andradinense — também mantém viva sua Festa do Peão, promovendo grandes shows, inclusive com a presença de Leonardo, e garantindo entrada franca todas as noites, fortalecendo o turismo e o comércio local.

E Andradina?

Com um orçamento mais que robusto, a cidade segue sem qualquer sinal concreto do retorno da Expoan, evento que por décadas foi símbolo regional, responsável por movimentar a economia, valorizar a cultura sertaneja e atrair milhares de visitantes. A ausência não é apenas sentida — ela é questionada.

Enquanto cidades menores fazem mais com menos, Andradina faz menos com muito mais.

A sensação é de abandono de uma tradição que ajudou a construir a identidade local. Comerciantes, profissionais e a própria população manifestam, cada vez mais, o desejo de ver a Expoan de volta. Não se trata apenas de entretenimento, mas de cultura, história e pertencimento.

Mais preocupante ainda é perceber que, em meio a esse cenário, houve tentativas de reformular até mesmo o título que consagrou a cidade como “Terra do Rei do Gado”, substituindo-o por “Península dos Grandes Lagos”. Uma mudança simbólica que, para muitos, representa um distanciamento do legado que projetou Andradina nacionalmente.

A tradição, hoje, parece estar na UTI — viva na memória e no desejo popular, mas sem o suporte necessário do Poder Público para se reerguer.

Fica a pergunta: por que Andradina, com tanto potencial e recursos, insiste em ignorar aquilo que a tornou grande?

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