A linha Aircross 2026 marca uma reorganização estratégica dentro do portfólio nacional da Citroën. O conjunto de versões foi reformulado e passou a oferecer quatro configurações: Feel Turbo 200, Feel 7 Turbo 200, Shine 7 Turbo 200 e XTR 7 Turbo 200. A ampliação do leque reforça a proposta de acessibilidade e funcionalidade, pilares que a Citroën tem mantido desde o início da produção do modelo no país.
O redesenho da linha inclui atualizações funcionais e visuais em todo o catálogo. A marca adicionou itens de comodidade, revisou acabamento interno e aprimorou a experiência de uso com central multimídia de 10,25 polegadas com bordas ultrafinas, ar-condicionado digital e automático, novos materiais e a reorganização dos comandos nos painéis e portas. A estrutura externa também recebeu ajustes, incluindo o nome Aircross reposicionado no centro do porta-malas e a oferta da nova cor Cosmo Blue.
O conjunto mecânico permanece ancorado no motor 1.0 Turbo 200 de até 130 cavalos de potência, associado ao câmbio automático CVT com sete marchas simuladas. As dimensões seguem como um dos destaques, permitindo a configuração de sete lugares e porta-malas ampliado quando a terceira fileira está recolhida. A gama também mantém o sistema de terceiros bancos removíveis e as funcionalidades internas voltadas para uso familiar. Entre as opções da linha, a versão XTR 7 Turbo 200 é posicionada como topo de gama, com elementos específicos de aparência, pneus de uso misto e diferenciais de acabamento.
A partir desse panorama, iniciei a avaliação da versão Aircross XTR 7 Turbo 200 2026 em trajetos urbanos na capital paulista e em rodovias que conectam a cidade ao interior. Também realizei a subida à Pedra Grande, em Atibaia, em trecho predominantemente off-road, com inclinações e irregularidades comparáveis a trajetos de dificuldade média, comuns aos veículos que buscam maior versatilidade de uso.
No uso urbano, o modelo apresentou comportamento consistente para deslocamentos cotidianos. O motor Turbo 200 respondeu bem nas acelerações mais frequentes do tráfego da cidade e manteve estabilidade de rotações em velocidades moderadas. A função de marchas simuladas do câmbio CVT atuou de forma progressiva, facilitando retomadas em vias de múltiplas faixas. A direção elétrica mostrou boa resposta em manobras de baixa velocidade, e os sensores traseiros contribuíram para as rotinas de estacionamento.
O interior da versão XTR 7 trouxe o revestimento premium com costuras na cor Light Green, combinando com detalhes no painel e nos bancos. Os comandos ao alcance do motorista, como regulagem de altura do banco, limitador de velocidade e integração da central multimídia, facilitaram o uso diário. Os passageiros da segunda e terceira fileiras contam com entradas USB dedicadas, elemento que se mostrou útil nas viagens mais longas. O sistema de ventilação suplementar no teto também agregou eficiência na climatização para toda a cabine.
Nos trechos rodoviários, o Aircross manteve comportamento equilibrado. A distribuição de peso e a calibração do conjunto permitiram condução estável em velocidades de cruzeiro. As respostas ao volante foram diretas, e o câmbio ajustou as rotações de maneira previsível nas subidas e retomadas necessárias para ultrapassagens. O espaço interno foi suficiente para acomodar bagagens e equipamentos, especialmente com a terceira fileira recolhida.
A subida à Pedra Grande representou a etapa mais desafiadora da avaliação. O percurso, formado por terra, pedras soltas e trechos íngremes, costuma exigir atenção de condutores e desempenho coerente do veículo. Já testemunhei SUVs parando ou perdendo tração nesse mesmo trecho. Com o Aircross XTR, os pneus Pirelli Scorpion HT e a altura em relação ao solo colaboraram para que o trajeto fosse concluído sem interrupções. A tração manteve constância mesmo em segmentos de cascalho, e o curso da suspensão absorveu as irregularidades do piso. O modelo conseguiu completar a subida com segurança e firmeza, demonstrando capacidade prática para atividades fora do asfalto.
A descida exigiu controle de velocidade e precisão na direção, e todos os sistemas responderam dentro do esperado. O freio manteve atuac?a?o linear, e o câmbio ajustou o regime de funcionamento de forma adequada aos trechos mais inclinados. A visibilidade frontal e lateral auxiliou nas manobras entre pedras e áreas estreitas.
No retorno ao asfalto, a experiência reforçou a percepção de que o conjunto da versão XTR foi pensado para transitar entre diferentes tipos de uso. A possibilidade de transportar até sete ocupantes, associada ao motor turbo, cria opções adicionais para famílias maiores, especialmente para quem alterna o uso urbano com deslocamentos rodoviários frequentes.
No balanço final da avaliação, três pontos positivos se destacam: o custo-benefício oferecido pela combinação de até sete lugares e motor turbo; a versatilidade dos pneus de uso misto em trajetos variados; e a praticidade interna proporcionada pela organização dos comandos, entradas USB distribuídas e ventilação suplementar. O ponto que pode ser aprimorado é o nível de filtragem das irregularidades em alguns trechos urbanos, onde a suspensão transmite mais do piso do que seria desejável em vias deterioradas.
