Alegando falta de dinheiro até para pagamento da conta de luz, que está em atraso, a Fateb (Faculdade de Tecnologia de Birigui) informa que não possui condições financeiras para garantir o retorno das aulas, previsto para acontecer no próximo dia 8 de agosto.
“Infelizmente a situação é crítica, pois diante do cenário, nem mesmo o pagamento a título de energia elétrica será efetuado, o que dificulta o planejamento para retorno das aulas em agosto de 2022, que corresponde ao segundo semestre letivo, cuja resposta da Fundação, na presente data, foi que não possui condições financeiras para garantir o retorno das aulas”, informa nota encaminhada ao Hojemais Araçatuba .
A reportagem tomou conhecimento no último sábado (23) que a instituição estava com o pagamento de salários em atraso e sem previsão de pagamento dos funcionários para o mês de agosto. Os rumores seguiram e na noite de segunda-feira (25) foram feitas várias publicações nas redes sociais, por parte de alunos, sobre a grave crise financeira vivida pela instituição.
Também na noite de ontem, o prefeito Leandro Maffeis (Republicanos) fez uma publicação nas redes sociais informando que somente neste mês de julho a equipe dele realizou três reuniões técnicas, uma das quais ele teria participado presencialmente, para abordar situação financeira da Fateb.
“Nas três reuniões a Prefeitura se colocou à disposição da diretoria da Fateb para buscar, em conjunto, soluções para o problema financeiro que a Fateb vem enfrentando há anos. Uma das soluções, com a qual eu já me comprometi, é o repasse emergencial, a ser realizado no retorno das sessões da Câmara (pois depende de aprovação dos vereadores) do valor de R$ 100 mil para sanar uma parte das dívidas que a Faculdade acumula até este momento”, publicou.
Dívida
A faculdade informou ao Hojemais Araçatuba que atualmente tem uma dívida de aproximadamente R$ 5.000,00 de energia elétrica e que não será possível efetuar o pagamento, diante dos atrasos a título de salários e encargos sociais, obedecendo a ordem cronológica. Também não há condições de pagar outros fornecedores, como internet, segurança, sistemas de biblioteca e a manutenção do sistema acadêmico.
De acordo com o que foi informado, os atrasos no pagamento da equipe docente ocorrem desde o início deste ano, mas a situação teria se agravado ainda mais em junho e julho, resultando também no atraso nos salários da equipe administrativa.
“Em julho, por exemplo, todos os funcionários (acadêmicos e administrativos) receberam 50% do salário do mês de junho, no dia 14/07. As férias, garantidas por lei, também não foram integralmente pagas, sendo que todos os funcionários receberam somente 1/3 das férias. E o valor a título de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), também não foi recolhido”, informa a nota.
Adequações
A direção da Fateb informa ainda que desde o início deste ano letivo realizou as reduções possíveis de salário, correspondentes a carga horária das coordenações de curso e direção, dentre outras reduções.
A equipe contratada para garantir a segurança dos alunos foi dispensada por falta de dinheiro e há setores com déficit de funcionários, mas não há previsão de contratação devido à atual situação financeira.
Reuniões
Ainda segundo o que foi informado, a direção acadêmica, em conjunto com o Conselho de Curadores, decidiu realizar reuniões com a equipe administrativa e docente para explicar a situação. Em 23 de junho a reunião foi com o presidente da Câmara, César Pantarotto (PSD), na qual as equipes administrativa e acadêmica apresentaram a situação crítica da faculdade.
Ele teria sido informado dos recorrentes atrasos de pagamentos de salários e da inviabilidade de assumir os compromissos trabalhistas nos próximos meses. Apesar de ter se comprometido a levar a situação aos demais parlamentares, teria adiantado que tais soluções não chegariam a curto prazo.
O prefeito de Birigui teria sido convidado para uma reunião em 29 de junho com a equipe administrativa e acadêmica, mas não compareceu, alegando compromissos com o setor de saúde da cidade. Ele esteve representado no encontro pelo Chefe de Gabinete, Glauco Bonfim Rodrigues, e pelo secretário de Governo, Anderson Rodrigo Corandin.
De acordo com a direção da Fateb, além de não apresentar soluções, eles teriam informado que não havia orçamento para a faculdade e que a Prefeitura estaria buscando alternativas para resolver a situação.
“O financeiro da Fateb alertou, inclusive, quanto à inviabilidade do pagamento da energia elétrica e de impostos trabalhistas no mês de julho, mas não obteve uma resposta efetiva por parte dos representantes do prefeito”, cita a nota.
Ainda de acordo com a direção da Fateb, por diversas vezes o prefeito de Birigui sinalizou que existem outras prioridades, visão que foi reforçada na reunião com os representes do prefeito. “Afirmam que as prioridades são Saúde e Educação de nível básico. Ou seja, a educação superior não estaria nos planos de gestão”.
Avisados
Segundo a direção da Fateb, o secretário executivo, Rodrigo Simon, realizou uma reunião em 4 de julho com os funcionários da faculdade para sinalizar que não havia solução para o pagamento de salários e férias no mês de julho, e que, talvez, pagariam somente 50% dos salários e 1/3 das férias.
A direção da instituição informa que na oportunidade sinalizou que tomaria as devidas providências, entre elas comunicar a situação à Congregação de Curso e aos alunos representantes de turma, o que aconteceu na segunda-feira (25).
“Dentro desse período, esperamos um retorno preciso sobre as ações a serem executadas. A Direção Acadêmica protocolou documentos junto à Prefeitura e ao Conselho Curador, representante da Fundação Municipal, solicitando atendimento à atual situação financeira. O Executivo não respondeu e a Fundação, na data de ontem, respondeu que não teria condições de atender as demandas mínimas financeiras para o início das aulas", finaliza a nota.
