Referência regional, a Santa Casa de Araçatuba (SP) realizou 537 atendimentos em oncologia pediátrica a pacientes moradores na cidade e em municípios vizinhos, em 2023. O número foi divulgado nesta quinta-feira (14), Dia Internacional da Luta Contra o Câncer Infantil, como alerta e para conscientizar pais sobre os sintomas da doença.
A assessoria de imprensa do hospital informa que a cada ano, cerca de 12 mil novos casos de câncer infantil são diagnosticados no Brasil, dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer). Ainda segundo o que foi divulgado, a doença é a principal causa de morte de crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos no País. A taxa de sobrevivência fica entre 41% e 60%.
Diante de tudo isso, a onco-hematologista pediátrica do CTO da Santa Casa de Araçatuba, Cibele Cristina Castilho, reforça que os pais devem estar sempre alertas quanto aos sinais. “Se o seu filho apresentar febre prolongada sem causa aparente, palidez inexplicada, aumento do volume abdominal, nódulos abdominais, dores de cabeça acompanhadas de vômitos, perda de equilíbrio, estrabismo, falta de coordenação motora, dificuldade para andar, manchas roxas pelo corpo que não estejam relacionadas a batidas ou sangramentos, ou se notar qualquer caroço ou nódulo em qualquer parte do corpo que esteja crescendo sem motivo aparente, é importante procurar ajuda médica imediatamente” , explica.
Tratamento
Estes alertas quase chegaram tarde para Wanessa Alves, de Mirandópolis, que viu a filha dela travar uma batalha contra um câncer, diagnosticado quase cinco meses após os primeiros sintomas e atendimentos realizados em serviços de saúde da cidade onde mora.
Na época, a menina tinha 9 anos e teve vários episódios de febre, dores no corpo e indisposição. "Sempre apareciam alguns carocinhos aqui, outros ali. Ela tinha febre recorrente. Quando a levava ao hospital, diziam que era virose ou algo parecido, o que atrasou bastante o diagnóstico", contou à assessoria de imprensa da Santa Casa.
Segundo o que foi divulgado, a criança chegou a ser internada duas vezes seguidas em um hospital de Mirandópolis devido à febre alta, dores na perna e foi diagnosticada infecção no fêmur. Após receber alta, ela foi levada de volta ao hospital com febre e manchas no corpo. Desta vez, a criança foi internada sob suspeita de dengue, que depois foi descartada.
Leucemia
A paciente foi transferida para a Santa Casa de Araçatuba, onde foi diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda B. Teve início o tratamento com quimioterapia e ela permaneceu internada por nove meses, um deles na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
Segundo o hospital, a paciente foi submetida ao tratamento com quimioterapia blina, procedimento que não era comumente realizado na Santa Casa até então. "Foi necessário que o corpo técnico passasse por um curso para administrar a medicação na minha filha" , explicou Wanessa, que destacou a importância da estrutura da Santa Casa de Araçatuba para o diagnóstico correto e para a primeira fase do tratamento.
Transplante
O drama seguiu após os médicos constatarem a ineficácia da quimioterapia e decidirem que a paciente precisava de um transplante com urgência. "Então, eu, meu marido e meus dois filhos nos mobilizamos para fazer exames de sangue. Meu filho mais velho apresentou 50% de compatibilidade, enquanto o mais novo, 100%", relatou Wanessa.
Como o procedimento não era realizado na Santa Casa, a menina foi encaminhada para São José do Rio Preto para receber a doação de medula óssea do irmão de apenas 5 anos. Após o transplante, a criança faz acompanhamento médico de rotina e vem se recuperando bem, segundo o que foi informado. "Ela teve uma aceitação de 100% da medula, está começando a ter uma vida normal, inclusive já voltou a estudar" , explicou a mãe.
