Porta de entrada para atendimento de Urgência e Emergência da Santa Casa de Araçatuba (SP), o pronto-socorro oficializou nesta quarta-feira (20), data do 97º aniversário do hospital, uma nova terapia para o tratamento de pacientes com AVCI (Acidente Vascular Cerebral Isquêmico).
O método, também chamado de trombólise, foi apresentado durante cerimônia para comemorar o aniversário da instituição. O projeto iniciado e implantado por equipe composta pelo diretor técnico do hospital, Carlos Mori; o médico emergencista Silvio Bianco; o coordenador do pronto-socorro, Silvio Bianca; e o neurologista Gabriel Flamarin Cavasana.
Segundo o que foi informado, o procedimento é considerado um grande avanço, pois o AVC Isquêmico representa a segunda maior causa das emergências atendidas pelo pronto-socorro da Santa Casa de Araçatuba.
O novo método é válido apenas para pacientes com AVC Isquêmico que não têm contraindicações à trombólise e consiste na aplicação de um medicamento que dissolve coágulos de sangue nas artérias. Até então o procedimento foi adotado com dez pacientes e sete deles apresentaram resposta satisfatória.
Pacientes que passaram pelo tratamento e familiares com a equipe responsável pelo protocolo (Foto: Lázaro Jr.)
Exemplos
Durante o evento, dois pacientes que passaram por esse tratamento foram apresentados ao público presente. Um deles é a dona de casa Rosângela Fernandes Rodrigues Barion, que sofreu um AVCI no dia 2 de fevereiro e foi atendida no pronto-socorro da Santa Casa.
O marido dela, José Barion, relatou à assessoria de imprensa do hospital que ao saber do diagnóstico teve pouca expectativa quando a equipe médica disse que ela passaria pela Terapia Trombolítica.
“Ela estava em estado grave. Sinceramente, eu não conseguia imaginar que minha esposa pudesse sair daquela situação”,
revelou. Rosângela completou 50 anos um mês depois de sofrer o AVCI, no dia 2 de março, e já retornou às atividades normais.
O mesmo aconteceu com o corretor de imóveis Verci Aparecido Guimarães, 65 anos, que é de Birigui. O resultado foi tão positivo, que segundo o irmão dele, Paulo Henrique Guimarães, que falou aos presentes, contou que uma semana foi preciso chamar a atenção do paciente, que já estava andando de moto.
No caso dele, os sintomas apareceram na noite de 15 de fevereiro e ele foi levado ao pronto-socorro de Birigui. Com diagnóstico de AVCI, foi feita a transferência para a Santa Casa de Araçatuba, que é referência em Neurologia e Neurocirurgia.
O irmão contou que o paciente foi transferido por volta de 22h, com um lado do corpo totalmente paralisado. Ele foi trombolisado por volta da 0h do dia seguinte e às 2h já movimentava o braço e a perna que haviam sido paralisados.
“Até hoje, a gente se emociona com esse cuidado que meu irmão recebeu e salvou sua vida”,
declarou.
Agilidade
O diagnóstico rápido é um dos principais fatores para que o novo procedimento possa ser aplicado. Segundo o que foi informado, para receber o medicamento o paciente tem que dar entrada no pronto-socorro no máximo até quatro horas e meia após o início dos sintomas e/ou evoluções mais graves.
Para garantir a eficiência no tratamento e permitir que um número maior de pessoas com quadro de AVCI possa passar pelo procedimento, o coordenador do pronto-socorro ministrou treinamento para as equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, para funcionários do pronto-socorro municipal e para as equipes do Serviço de Resgate.
O treinamento foi extensivo ao NIR (Núcleo Interno de Regulação), coordenado pelo médico Ronaldo Quiderolli, para que os casos de AVCI possam ser atendidos rapidamente.
Parceiros
O projeto tem ainda a participação dos integrantes da Liga de Medicina de Emergência, grupo formado por acadêmicos e professores do curso de Medicina do Unisalesiano, criado para aprofundar os conhecimentos em medicina de emergência. Segundo o que foi divulgado, a Liga auxiliou na elaboração do protocolo e participa do treinamento dos profissionais de resgate e remoção.
Bianco informou que a proposta é estender o treinamento para as unidades de resgate que atuam nos municípios atendidos pela Santa Casa de Araçatuba, para ampliar a capacitação dos profissionais. O objetivo é garantir que os pacientes com AVCI sejam removidos ao hospital com tempo hábil para a aplicação da trombólise.
Custo do tratamento é bancado pelo próprio hospital
Além da necessidade de treinamento, um dos motivos que atrasou o início do tratamento de pacientes com AVCI com o novo método foi o alto custo do medicamento. Segundo o que foi divulgado, cada ampola de trombolítico custa entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil e elas estão sendo adquiridas com recursos próprios.
A Santa Casa é referência regional em Neurologia e Neurocirurgia e busca ao credenciamento como um centro de tratamento de AVC para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). Caso obtenha esse status, passará a ter direito a um custeio diferenciado para a realização do procedimento.
Durante o evento em comemoração ao aniversário da Santa Casa, no qual foi apresentado o novo tratamento, o provedor do hospital, Petrônio Pereira Lima, comentou que a diretoria concordou em bancar os custos pela certeza de estar oferecendo aos pacientes do SUS, tratamento adequado para aumentar as chances de vida com poucas ou nenhuma sequela.
Segundo a Santa Casa, o AVC é a segunda causa de morte no mundo e a terceira em países industrializados (a primeira são as doenças do coração e a segunda, o câncer). A grande incidência de sequelas causada gera importante impacto social e econômico e ocupação prolongada de leitos hospitalares.
Causas
O grupo já tratado na Santa Casa de Araçatuba com a Terapia Trombolítica é composto por pacientes com idades entre 50 e 70 anos. Na maioria dos casos, os quadros de AVCI foi consequência de diabetes, hipertensão e tabagismo.
Após o atendimento inicial, os pacientes ficam sob os cuidados dos especialistas do Serviço de Neurologia. O primeiro passo para definição ou não do procedimento é a realização de exames de imagem.
O coordenador do pronto-socorro da Santa Casa, médico socorrista Silvio Bianco, classifica a terapia como um avanço imprescindível para o hospital oferecer aquela que pode ser a única chance de um paciente sobreviver a um AVCI e sair com boa qualidade de vida.