Cotidiano

Prefeito e vereador querem explicações sobre partos na Santa Casa de Birigui

Reportagem denunciou dois casos de violência obstétrica e lesões em bebês durante procedimentos no hospital

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
29/05/20 às 22h12

O prefeito de Birigui (SP), Cristiano Salmeirão (PTB), e o vereador Fabiano Amadeu (Cidadania) querem explicações sobre partos induzidos realizados na Santa Casa de Birigui e que resultaram em graves lesões em bebês.

Os casos foram denunciados pelo Hojemais Araçatuba e pela página do QAP Birigui e ocorreram num intervalo de dez dias.

Em ofício endereçado ao presidente da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui, Cláudio Castelão Lopes, o prefeito quer saber quais as providências e/ou procedimentos tomados pelo hospital a respeito dos fatos elencados nas reportagens “Bebê tem clavícula quebrada e pulmão perfurado em parto normal induzido” e “Mais um bebê tem grave lesão após parto induzido na Santa Casa de Birigui” 

Segundo Salmeirão, tais informações são necessárias, porque mesmo tendo administração própria desde 2016, a Santa Casa possui convênio com a Prefeitura, de onde recebe repasses e presta serviços ao SUS (Sistema Único de Saúde).

Câmara

Também nesta sexta-feira (29), um requerimento foi protocolado na Câmara por Fabiano Amadeu, pedindo informações ao município sobre partos realizados na Santa Casa e o cumprimento da lei estadual 17.137, de 23 de agosto de 2019, que garante à parturiente a possibilidade de optar pela cesariana a partir de 39 semanas de gestação, bem como a analgesia.

Dentre as perguntas feitas pelo parlamentar estão o número de partos realizados no hospital durante este ano; quantos foram por meio de cirurgia cesárea e quantos foram partos normais; dentre os partos normais, quantos foram induzidos; se há reclamações abertas sobre partos realizados pelo SUS na Ouvidoria do hospital e possível trabalho de informação nas unidades de saúde sobre a lei estadual.

O requerimento deve ser lido na próxima sessão da Câmara e se aprovado, será encaminhado ao Executivo.

O vereador disse que também deve protocolar um requerimento específico para a Santa Casa.

Santa Casa

A reportagem voltou a questionar a Santa Casa de Birigui sobre os casos noticiados e sobre o documento encaminhado pela Prefeitura.

Por meio da assessoria de imprensa, o hospital informou que recebeu o ofício, está apurando o que pode ter acontecido para responder ao município. No entanto, não há previsão de resposta à imprensa.

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Santa Casa de Birigui tem administração própria desde 2016, mas recebe verbas da Prefeitura (Foto: Aline Galcino/Arquivo H+)

Os casos

Os dois casos noticiados são bem semelhantes. As gestantes foram internadas à noite, antes de terem entrado em trabalho de parto, e tiveram o procedimento induzido por meio de medicações durante a madrugada. Na hora do nascimento dos bebês, elas não tiveram direito a acompanhante, ficando apenas na companhia das equipes do hospital.

O primeiro caso noticiado ocorreu no dia 9 de maio e, além do sofrimento da mulher, que passou cerca de dez horas em trabalho de parto sem nenhuma analgesia, o bebê teve a clavícula quebrada e o pulmão perfurado durante o procedimento.

Ele nasceu pesando 3,950 quilos e medindo 49 centímetros e precisou ficar uma semana na UTI Neonatal da Santa Casa de Araçatuba para se recuperar dos ferimentos.

O segundo ocorreu no dia 1º de maio e só foi denunciado após a publicação da primeira reportagem.

A mãe estava com 41 semanas e seis dias de gestação, porém sem nenhuma dilatação. Durante a indução do parto, a mulher teve diversas hemorragias. A criança nasceu com 4,280 kg e 53 cm, e teve uma lesão no plexo braquial - conjunto de nervos que faz a comunicação entre o braço e o cérebro.

Para não perder os movimentos do braço e mão, e menina precisa de tratamento específico com especialistas antes de completar três meses de idade.

Manobra

Ambas as mulheres foram submetidas à chamada manobra de Kristeller, que consiste em fazer pressão na barriga da grávida para acelerar a saída do bebê.

O procedimento, no entanto, é considerado violência obstétrica e contraindicado pelo Ministério da Saúde e OMS (Organização Mundial da Saúde) justamente pelos diversos riscos que pode trazer tanto para mãe quanto para o bebê.

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