Cotidiano

Rim doado garante 'nova vida' a comerciante de Araçatuba

Santa Casa comemora o Dia Nacional da Doação de Órgãos com aumento no número de transplantados no Hospital do Rim

Da Redação - Hojemais Araçatuba
27/09/23 às 07h00
O comerciante de automóveis Mario César Boanarotti (à direita) recebeu um dos rins de um doador em morte encefálica (Foto: Divulgação)

Tomar água e fazer xixi: duas necessidades tão comuns às pessoas foram redescobertas pelo comerciante de automóveis Mario César Boanarotti, 63 anos, logo após ter recebido um dos rins de um doador em morte encefálica.

Ficar livre das máquinas de hemodiálise, às quais ele precisava recorrer três vezes por semana para filtrar o sangue, é o que ele considera o passaporte para uma nova vida. “Eu passava muito mal depois das sessões de hemodiálise e, muitas vezes, não conseguia trabalhar”, relembra Boanarotti.

A mudança no tom da pele, “para amarelado e depois acinzentado”, também assustava o comerciante. Diabético e hipertenso, no início de 2022 Boanarotti entrou para a estatística de pacientes com doença renal crônica que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, atinge mais de dez milhões de brasileiros.

Assim como os demais pacientes que aguardam por um transplante, a terapia substitutiva (hemodiálise e diálise peritoneal), dietas restritivas e medicações para problemas decorrentes da doença renal crônica são caminhos do tratamento enfrentados pelo comerciante, que dependia de sistemas artificiais de filtragem do sangue.

Vida nova

No caso de Boanarotti, ele precisou de pouco mais de um ano de tratamento até ser informado que faria o transplante. Segundo a Santa Casa, a compatibilidade, o quadro clínico e a agilidade para chegar ao Hospital das Clínicas de Botucatu contribuíram para a consolidação do que ele mais esperava receber na vida, um novo rim.

O hospital de Botucatu é referência para transplantes renais no interior paulista e o tão esperado telefonema aconteceu no início da noite de 12 de abril deste ano. " Eram 19 horas. Disseram que havia um rim compatível para mim, mas eu teria que chegar lá até no máximo as 23 horas, pois teria de fazer vários exames” , relembra o comerciante. Ele acrescenta que dentre a emoção do telefonema e tudo o que ainda tinha de arrumar, não sabia o que fazer primeiro.

Transplante

O transplante foi realizado na manhã do dia seguinte, sem intercorrências. Ultrapassado o período de possível rejeição do órgão transplantado, ele enfrentou um quadro de infecção, o que não é incomum aos transplantados. Porém, desde julho ele está liberado pelos médicos para viver uma rotina normal.

Boanarotti voltou nesta semana ao Hospital do Rim para agradecer ao médico que o acompanhou, às enfermeiras do setor e foi recebido com muitos abraços e palavras de encorajamento. Bem disposto e corado como há muito tempo não se via, tomando água à vontade e fazendo xixi novamente, ele recebeu os parabéns do nefrologista Guilherme Ugino, que integra a equipe médica do Hospital do Rim.

O comerciante só ficou triste ao visitar as salas de hemodiálise e rever os ex-colegas “de máquina” sendo submetidos às sessões. "Peço a Deus que cada um deles tenha a oportunidade de receber um rim, assim como eu recebi", comentou.

Doador

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, antes de ficar doente Boanarotti já pensava em ser doador de órgãos, ideia que foi reforçada após ser beneficiado com um rim transplantado. “E não estou sozinho; meus filhos, esposa e noras também já declararam que são doadores” , conta.

“Desejo tudo de melhor para os familiares que autorizaram a doação dos órgãos de seu ente querido. Sem isso, eu estaria tão ou mais doente do que estava. Sei que essa pessoa (o doador) está feliz pelo ato tão nobre para outras pessoas. Ele está feliz lá no céu, e eu estou feliz aqui com a minha família”, afirma, emocionado.

Por fim, ele comenta que todas as pessoas deveriam ser doadoras de órgãos para trazer vida para quem precisa de um transplante.

O comerciante visitou o Hospital do Rim nesta semana (Foto: Divulgação)

Até agosto deste ano, 16 pacientes do Hospital do Rim da Santa Casa foram transplantados

O Hospital do Rim da Santa Casa de Araçatuba registra aumento no número de pacientes transplantados neste ano, em comparação com o ano passado. Segundo o que foi informado pela assessoria de imprensa do hospital, em 2022, 11 pacientes do Hospital do Rim foram submetidos ao transplante, contra 16 no período de janeiro a agosto deste ano.

Apesar do aumento, o nefrologista Guilherme Ugino, que integra a equipe médica do Hospital do Rim, comenta que os números são pequenos se comparados ao total de pacientes aptos para o transplante renal que corresponde a 70% do total de atendidos.

Ainda de acordo com o que foi divulgado, a pouca oferta do órgão torna a espera lenta e angustiante, já que o rim é o órgão com maior demanda dentre os pacientes que aguardam por transplante. São 31.541 pacientes na fila de espera no País, incluindo 1.175 são crianças.

Em oito anos, Santa Casa de Araçatuba captou 460 órgãos    

O médico Rafael Saad é coordenador da Comissão de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes da Santa Casa de Araçatuba (Foto: Divugação)

A Santa Casa de Araçatuba é uma das referências em notificações de morte encefálica da região Noroeste Paulista. Por três anos consecutivos o hospital recebeu premiação da Secretaria Estadual de Saúde, pelo desempenho em taxa de efetivação das doações de órgãos.

Em 2022, por exemplo, a Santa Casa foi uma das duas unidades hospitalares da OPO (Organização de Procura de Órgãos) de São José do Rio Preto, com maiores taxas de consolidação de protocolos.

O trabalho é realizado pela CIHDOTT (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes), que foi implantada em janeiro de 2015. Desde então, até setembro de 2023, foram registrados 267 protocolos de morte encefálica, resultando em 115 captações e 460 órgãos distribuídos e transplantados em todo o Estado de São Paulo em pacientes que estavam na fila de espera.

Importância

O médico Rafael Saad, coordenador da CIHDOTT da Santa Casa de Araçatuba, comenta que essas comissões são essenciais para viabilização e cuidado dos doadores de órgãos para transplantes “Os integrantes dessas comissões internas realizam busca ativa em todo âmbito hospitalar, em especial nas unidades de tratamento intensivo e setores de urgência e emergência”, explica.

Ainda de acordo com ele, cabe à comissão o acompanhamento de todas as etapas do protocolo de investigação de morte encefálica, abordagem e entrevista com familiares dos pacientes, o contato com a Central de Transplantes e o suporte às equipes que realizam as captações.

Conscientização

Saad reforça que a elevada taxa da recusa familiar à doação de órgãos é o principal obstáculo para efetivação da doação na maioria dos Estados. Como já foi informado anteriormente, a taxa de recusa para a doação de órgãos registrada na Santa Casa de Araçatuba é de 25%, bem abaixo da média nacional, que é de 49%, segundo dados de junho da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos).

Mesmo assim, ele explica que é possível melhorar ainda mais e reforça a importância da comunicação entre os familiares sobre a vontade de ser um doador de órgãos. “Apenas com o consentimento familiar é possível realizar a doação” , conclui.

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