Um grupo de vereadores liderado pela presidente da Câmara, Edna Flor (Podemos), visitou a Santa Casa de Araçatuba (SP) na última terça-feira (2) e conheceram o funcionamento do NIR (Núcleo Interno de Regulação) do hospital. Esse núcleo é o responsável pelo processo de acolhimento e transferência de pacientes que aguardam nos prontos-socorros, vagas para internação na Santa Casa.
O hospital é referência em urgência e emergência de alta complexidade para 40 municípios da área de abrangência do DRS-2 (Departamento Regional de Saúde) e recebe, em média, cerca de 100 solicitações de vagas a cada 24 horas.
A falta de vagas para internação foi um dos assuntos discutidos na audiência pública de Saúde realizada na última quinta-feira (28) na Câmara Municipal, quando a secretária municipal de Saúde, Lucila Bistaffa, comentou sobre a necessidade de Araçatuba ter um hospital municipal para auxiliar no atendimento à demanda.
Convite
Após a audiência, os vereadores foram convidados pelo provedor do hospital, Éverton Santos, para conhecer o funcionamento do NIR. Durante a visita, eles puderam acompanhar em tempo real os processos cadastrados no sistema de vagas. Segundo o que foi informado, naquela manhã, havia no NIR, 39 pacientes aguardando transferência para a Santa Casa.
O hospital possui 40 pontos de atendimento e não havia nenhuma vaga disponível para oferta, o que segundo a instituição, evidencia a pressão permanente sobre a capacidade instalada.
Como funciona
O provedor e a equipe técnica da Santa Casa aproveitaram o encontro para explicar que a admissão de pacientes que aguardam por vaga para internação no hospital envolve a atuação simultânea de três médicos.
Fazem parte do sistema o regulador da Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde; o médico plantonista do NIR da Santa Casa; e o médico da unidade de origem que solicita a vaga. “Os critérios utilizados são exclusivamente técnicos e baseados em protocolos assistenciais rigorosos” , informa nota divulgada à imprensa.
Ainda segundo o hospital, entre os fatores analisados estão a gravidade do quadro clínico do paciente, que é classificada pelo médico assistente e respaldada por exames e documentos anexados ao pedido, além das atualizações periódicas realizadas pela unidade de origem.
Também são consideradas a disponibilidade de vagas para avaliação e a existência de leitos de enfermaria ou de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no hospital de referência mais adequado para cada caso. “Todo o processo é monitorado em tempo real pelo médico regulador da Cross, que atua a partir da central estadual em São Paulo” , informa.
Vaga zero
A Santa Casa explica que em situações de agravamento clínico, o médico regulador da Cross tem autonomia para determinar medidas excepcionais. Ele pode inclusive, determinar a transferência por vaga zero para o hospital onde a internação está sendo pleiteada ou para qualquer outra unidade hospitalar do Estado, desde que ela disponha de capacidade assistencial para receber o paciente.
Também participaram da visita os vereadores Damião Brito (Rede); Gilberto Mantovani (PSD), o Batata; Hideto Honda (PSD); Dr. Luciano Perdigão (PSD); Luís Boatto (Solidariedade); e João Pedro Pugina (PL).
Avaliações
Em nota, o provedor da Santa Casa informa que a reunião permitiu aos vereadores compreenderem de forma mais aprofundada, o funcionamento da regulação estadual e os critérios técnicos que orientam as decisões relacionadas ao encaminhamento de pacientes.
Para ele, a visita reforça a importância do fortalecimento da rede regional de saúde para ampliar a capacidade de atendimento à população.
Entre os parlamentares ouvidos, Damião Brito disse que a visita ajudou a esclarecer todas as dúvidas, para poder repassar as informações à população, que também tem dúvidas sobre o funcionamento do sistema.
Por fim, a presidente da Câmara fez uma avaliação positiva do encontro pelo acesso às informações, especialmente as relacionadas às condições técnicas que são observadas para a transferências de pacientes.
“Mas fica sobretudo para nós, agentes públicos, uma grande inquietação, que é a busca de soluções definitivas, que passa por um hospital municipal e mais vagas em unidades de cuidados prolongados” , declara, acrescentando que os vereadores têm muita responsabilidade em relação ao compromisso com a Saúde Pública.
