Dificuldade
Na época, o Hospital do Câncer em São Paulo era a principal referência para um tempo em que as estatísticas da doença ainda não eram alarmantes, mas havia poucos centros de tratamento no interior do País.
E foi exatamente para facilitar o acesso de pacientes do interior ao hospital criado em 1953 pelo marido dela, o médico Antônio Prudente, que no início dos anos 1960 a jornalista Carmem Prudente abriu mão da carreira para se dedicar exclusivamente ao combate ao câncer e conclamou a formação de grupos de voluntárias no interior do Estado de São Paulo.
A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Araçatuba foi um desses grupos e até 1971 atendia os pacientes e seus familiares no Centro Social São José. A unidade municipal funcionava em um prédio da rua Tiradentes, nas proximidades da atual agência do Banco Itaú.
Os bons resultados do trabalho da Rede e o crescimento do número de pacientes internados por causa da doença atraíram a atenção do provedor da Santa Casa de Araçatuba, Carlos Castro Neves (1955-1980), que em 1971 convidou o grupo voluntário para atuar no hospital. Na ocasião, ele cedeu a sala da provedoria para as ações da Rede.
“A sala da provedoria estava recém-construída e ainda nem tinha acabamento, mas as voluntárias colocaram os móveis necessários e uma vez por semana faziam suas reuniões e atendiam os pacientes e familiares”,
relembra Jair Garcia Negri, que atuou por 46 anos no hospital.
Contribuição
A chegada das voluntárias ao hospital ampliou o olhar sobre as necessidades dos pacientes oncológicos numa época em que a estrutura disponível na Santa Casa de Araçatuba se restringia à assistência por médicos generalistas.
Decorridos 53 anos do início da atuação da Rede Feminina de Combate ao Câncer na instituição, o hospital se tornou referência de tratamento especializado de todos os tipos de câncer, com exceção de câncer de olho, para pacientes de 40 municípios da região de Araçatuba.
Expansão
As atividades da Rede Feminina na Santa Casa de Araçatuba passaram a ter novas demandas a partir de 1992, quando chegaram os primeiros especialistas em Oncologia, dando início ao ciclo de cirurgias específicas de alguns tipos de câncer, que atraíram pacientes da região.
Em 1994, durante a administração do provedor Wilson Bedaque (1992-1997), foram iniciados os tratamentos radioterápicos na Central de Radioterapia. Com a instalação do CTO (Centro de Tratamento Oncológico) em agosto de 2002, também em prédio construído pelo governo paulista durante a administração do provedor Jaime Monçalvarga (2000 -2018), o grupo ganhou uma sala própria para suas atividades.
A mudança do nome para Campanha de Combate ao Câncer de Araçatuba aconteceu em 2001, quando também foi criada uma pessoa jurídica para poder receber recursos do McDia Feliz, ação social anual realizada pelo McDonald's. Durante cinco anos, a CCCA foi uma das beneficiadas.
Importância
O administrador da Santa Casa de Araçatuba, Luiz Otávio Barbosa Vianna, também destaca a importância do trabalho realizado pelas voluntárias do CCCA.
“Elas atuam incansavelmente em ações primordiais de apoio aos pacientes e seus familiares, buscando reduzir a angústia e a ansiedade que normalmente chegam junto com o diagnóstico e permanecem durante toda a jornada do tratamento”,
destaca.
Somente em 2023, a Campanha de Combate ao Câncer atendeu 1.946 pacientes no CTO da Santa Casa de Araçatuba, incluindo 109 crianças e adolescentes. Nesses atendimentos, é oferecido apoio em necessidades específicas como alimentação básica ou especial e medicamentos e exames diferenciados não cobertos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Também são atendidos casos de medicamentos nem sempre disponíveis no hospital nos momentos mais adequados às necessidades dos pacientes.
Experiência
Dona Ana de Oliveira Siqueira, 77 anos, de Araçatuba, sabe bem a importância do apoio oferecido pelas voluntárias. Uma das primeiras pacientes que a Campanha cadastrou quando da instalação no CTO, ela luta contra um câncer de pele há exatos 22 anos. Além das idas ao CTO para consultas pontuais e exames, a cada dois meses vai à sala das voluntárias para buscar principalmente protetor solar, -
“se não o câncer volta”
-, leites especiais, medicamentos, cesta básica.
“Aqui eu recebo tudo o que preciso”,
afirma a paciente.
Gláucia Diniz dos Santos, de Araçatuba, frequenta a sala da CCCA há menos tempo, mas o que recebe das voluntárias tem a mesma importância. Seu filho de 16 anos iniciou tratamento de câncer em 2020 e desde então a família passou a receber o suporte das voluntárias.
"Elas ajudam demais a gente e isso é muito importante
”, afirma, ao citar o recebimento de medicações e suplementos alimentares dentre os itens que retira na unidade.
Já Sílvia Teixeira acompanha o marido pela segunda vez, num período dez anos, no CTO onde ele faz tratamento de câncer de garganta após ter sido curado de neoplasia na bexiga.
“Sempre que ele precisa de Ensure, venho aqui buscar”,
conta, referindo-se ao suplemento alimentar que no ano passado registrou demanda de 1.620 latas.
"É muito importante essa ajuda que elas (voluntárias) dão pra quem não tem uma renda boa"
Cateter
A Campanha de Combate ao Câncer também patrocina a compra de portocath, cateter implantado no paciente para facilitar infusão de medicamentos de quimioterapia, evitando o sofrimento com picadas de agulha a cada sessão e na coleta de sangue para exames.
A voluntária Renata Benez Rocha, que atua há quase 20 anos no grupo, informa que o CCCA também tem interesse em pagar os serviços dos profissionais médicos especializados em implantação de portocath.
“Com isso, ajudaremos a fila a andar mais rapidamente”,
argumenta.
Em 2023, a Campanha de Combate ao Câncer de Araçatuba investiu R$ 930 mil em assistência direta aos pacientes e seus familiares, na aquisição de materiais para tratamento e equipamentos para o CTO e outras frentes de atendimento, reformas de quartos e doações para campanhas realizadas pelo hospital. O valor também inclui doações de suprimentos para a Casa de Apoio São Francisco, moradia temporária que oferece pernoite e refeições aos pacientes oncológicos e acompanhantes da região.