É bom dizer que o Festara não é propriedade da Prefeitura de Araçatuba. A Associata realiza o festival e busca parcerias e, quase sempre, a Secretaria Municipal de Araçatuba é uma das significativas parceiras.
Quando assumi, em janeiro de 2009, pedi ao Alexandre Melinsky que continuasse com o cargo de confiança na secretaria e planejamos continuar o Festara para os próximos anos. Com o entusiasmo do Alexandre, o meu encantamento pelo teatro e mais dinheiro para a Secretaria Cultura, fizemos ótimos festivais. Chegou ao ponto de figurar no calendário nacional.
Na perspectiva da economia criativa, a arte precisa de investimento. O artista tem que sobreviver de sua arte. E como o ser humano não vive sem arte, produzindo ou fruindo, tanto do setor privado como do público, precisa ter olhos para a cultura.
Quando cheguei à secretaria não se falava em projeto, não havia um sistema municipal de cultura, então tudo dependia das bênçãos do secretário e do prefeito. Gerava um certo clientelismo. Para artistas de fora, cachê; para os de Araçatuba, a secretaria pedia uma “palhinha”. Isso foi mudado.
O Festara criou um público jovem para o teatro de Araçatuba, tanto como público, mas também como elenco. Como tudo acontece de forma integrada, uma coisa puxa a outra, assim o Senac – unidade de Araçatuba – montou um curso Técnico de Teatro em 2009 (funciona até hoje), profissionalizante, dando registro profissional na DRT (Delegacia Regional do Trabalho). Hoje, os dirigentes da Associata são mais jovens.
Como secretário municipal de Cultura, passei momentos difíceis, pois na grade de programação constavam peças de vanguardas e outras ousadas, causando uma reação nos nichos mais conservadores de Araçatuba, mas nada que provocasse retrocesso. Não me furtei à discussão, pois entendo que a democracia é a forma mais eficaz para acomodar os contrários.